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As instituições financeiras têm baixo desempenho em sustentabilidade-Baixa pontuação reflete a relevância da agenda socioambiental 26/02/2025

  • Foto do escritor: Ana Cunha-Busch
    Ana Cunha-Busch
  • 25 de fev.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 26 de fev.


Foto Fernando Frazão, foto aérea floresta
Foto Fernando Frazão, detalhe foto aérea de uma floresta/Agência Brasil

As instituições financeiras têm baixo desempenho em sustentabilidade

Baixa pontuação reflete a relevância da agenda socioambiental


Fabíola Sinimbú - Repórter da Agência Brasil

Publicado na Agência Brasil

Brasília


Apenas três das 12 instituições avaliadas no Ranking de Desempenho Socioambiental das Instituições Financeiras (Rasa) obtiveram pontuação acima de 30 pontos, em uma escala que vai até 100 pontos, com base no desempenho socioambiental e climático em atividades como concessão de crédito, seguros e investimentos.


De acordo com a lista apresentada, que considera as atividades divulgadas publicamente pelas instituições financeiras no trimestre de novembro de 2024 a janeiro de 2025, o Rabobank recebeu 36,43 pontos; o BTG Pactual alcançou 35,42 pontos, e o Sicredi, 31,58 pontos. Os demais bancos avaliados foram Itaú/Unibanco (26,91 pontos), Banco do Brasil (24,06), Bradesco (23,28), Santander Brasil (22,27), Caixa Econômica Federal (19,10), BNB (14,74), Banco Safra (9,43), Sicoob (9,18) e Basa (8,04).


Esta é a quarta atualização desde que a Rasa foi criada, no último trimestre de 2022. No geral, as pontuações melhoraram em relação ao primeiro ciclo de avaliação, quando apenas dez instituições foram analisadas, mas as posições das instituições permaneceram semelhantes.


Em 2022, o Rabobank e o BTG Pactual já ocupavam o topo da lista, mas com pontuações de 29,04 e 26,90, respectivamente. O Sicredi, por sua vez, caiu da quinta posição no primeiro ciclo para o terceiro lugar, ocupado pelo Bradesco. Ao longo das quatro avaliações, o Banco do Brasil também melhorou seu desempenho, subindo do oitavo para o quinto lugar, mais do que dobrando sua pontuação em relação a 2022, quando obteve apenas 10,22 pontos.


De acordo com Luciane Moessa, diretora executiva e técnica da Associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS), entidade idealizadora da Rasa, a baixa pontuação reflete a pouca relevância da agenda socioambiental no sistema financeiro brasileiro.


“As notas subiram, mas ainda são baixas se considerarmos o total que pode ser alcançado. Um dos principais motivos é o baixo número de operações com riscos socioambientais avaliados, o segundo é a superficialidade da análise por parte dos bancos e o terceiro principal motivo é a falta de transparência, pois quando não encontramos informações, os bancos não pontuam”, explica.


A metodologia adotada pela Rasa também classifica as instituições de crédito e investimento de acordo com a política adotada no processo decisório e os instrumentos utilizados para levantar dados sobre potenciais tomadores de crédito, receptores de investimento ou empresas que pretendem captar recursos no mercado de capitais.

São avaliados os seguintes aspectos

gerenciamento de riscos,

a composição das carteiras,

produtos financeiros com impacto positivo,

envolvimento em controvérsias,

política ESG (ambiental, social e de governança)

No último caso, os detalhes abrangem 28 tópicos baseados em regulamentações financeiras globais, bem como padrões internacionais de autorregulação em organizações e instituições multilaterais. Esses incluem tópicos como o uso eficiente de matérias-primas poluentes ou sujeitas a provável escassez; trabalho análogo à escravidão e prevenção e combate à corrupção, por exemplo. Cada tópico recebe um peso percentual na pontuação final.


Ao conhecer os resultados da última Rasa, Giovanna Valentim, assessora de Defesa dos Direitos Socioambientais da Conectas Direitos Humanos, considerou que as instituições financeiras podem e devem aprimorar suas políticas de direitos humanos, especialmente para projetos que possam impactar os territórios de comunidades tradicionais.


“É fundamental olhar para os direitos indígenas e para os impactos que muitos projetos que recebem investimentos desses bancos geram em seus territórios”, disse.


Na opinião de Marcos Woortmann, vice-diretor do Instituto Democracia e Sustentabilidade, o Brasil, ao aprimorar suas práticas, pode ter uma janela de oportunidade, principalmente no atual cenário político mundial, em que grandes instituições financeiras dos Estados Unidos voltaram atrás em agendas ambientais, como a aliança para zerar as emissões de gases de efeito estufa até 2050.


“Além de ter altas taxas de retorno, se o país souber evoluir e se adaptar à nova realidade, pode se tornar um exemplo de boas práticas de ESG e ser um bom receptor de investimentos”, diz.



 
 
 

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