Rio alerta para o calor extremo e a chance de recordes nesta semana 16/02/2025
- Ana Cunha-Busch
- 15 de fev. de 2025
- 5 min de leitura

Rio alerta para o calor extremo e a chance de recordes nesta semana
A cidade pode ultrapassar os 41,8°C, a maior temperatura já registrada em fevereiro
Por AGÊNCIA BRASIL
Cristina Índio do Brasil
Publicado em 16/02/2025 - 14:31
Rio de Janeiro
As previsões meteorológicas apontam para altas temperaturas na cidade do Rio de Janeiro, especialmente na segunda-feira (17) e no dia seguinte. O Sistema Alerta Rio indica que esses dias poderão ser os mais quentes da semana e bater o recorde de dia mais quente já registrado em fevereiro, que é de 41,8 graus Celsius (°C), no ano de 2023.
“Podemos ultrapassar esse recorde, especialmente na terça-feira”, disse Raquel Franco, meteorologista chefe do Sistema de Alerta do Rio. “Estamos em um fevereiro muito seco, com pouca chuva. A média atual [de chuva] em 16 de fevereiro é de apenas 5 milímetros (mm). Teremos mais uma semana sem chuva, e a previsão para o final de fevereiro não indica muita chuva. Poderemos ter um dos fevereiro mais secos da história”.
Diante desse cenário, a Prefeitura do Rio anunciou que, se a cidade atingir o Calor 4 no protocolo criado pela administração municipal, a população poderá contar com a abertura de 58 pontos de resfriamento. “São áreas que oferecem sombra, pontos de hidratação e banheiros nas Naves do Conhecimento e parques municipais, vilas olímpicas e outras instalações municipais”, disse o chefe executivo do Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), Marcus Belchior, acrescentando que a lista de locais estará disponível no aplicativo do COR.
Além disso, os funcionários que trabalham sob o sol devem fazer pausas para se hidratar. A rede municipal de saúde deve estar preparada para o aumento de casos decorrentes das altas temperaturas. A recomendação é aumentar a ingestão de água, usar roupas leves e evitar a exposição direta ao sol nos horários de pico.
“Estamos na Heat 3, e há uma grande probabilidade e possibilidade de estarmos na Heat 4 nesta semana. Provavelmente não há nenhuma indicação nas previsões de que chegaremos ao Calor 5”, disse o prefeito do Rio, Eduardo Paes, em uma coletiva de imprensa para avaliar as condições climáticas e anunciar medidas para a população.
Paes disse que ninguém da administração municipal pediria o cancelamento de desfiles de rua, nem impediria a população de participar de atividades na cidade durante esse período de verão e carnaval, com previsão de calor intenso. No entanto, ele recomendou extrema cautela devido à previsão do tempo.
“Quem já pulou, brincou em um bloco de carnaval na cidade do Rio de Janeiro durante o dia, sabe do que estou falando, mas podemos chamar a atenção dos foliões para que bebam mais água, se hidratem melhor, tomem certos cuidados, procurem estar em um ambiente onde os riscos à saúde sejam menores”, disse, ele disse, comentando que o ponto de inflexão na leitura que o Rio faz do calor na cidade foi a morte, em novembro de 2023, por exaustão pelo calor, da estudante Ana Clara Benevides Machado, de 23 anos, durante um show da cantora americana Taylor Swift, no estádio do Engenhão, na zona norte do Rio de Janeiro.
“Não queremos controlar ninguém. O que queremos é que as pessoas tenham consciência do que está acontecendo, dos riscos; essas são preocupações que a própria população tem que ter. Não vamos colocar um chip em cada cidadão”, disse Paes.
O prefeito ressaltou que o verão carioca sempre foi muito quente e que não é novidade a cidade chegar a 40° C nessa época do ano. Essa situação tem se repetido este ano, mas agora com o agravante da intensidade, a repetição de dias com calor intenso e a sensação térmica tem sido maior do que nunca.
“Estamos tentando dar a vocês e à população um alerta para a semana que se inicia. Vamos torcer para que o tempo confirme o sol, mas baixe as temperaturas. Eu seria o homem mais feliz do mundo se disséssemos que a semana inteira foi ensolarada, teremos sol até abril, mas as temperaturas ficarão entre 25°C e 32°C na cidade do Rio de Janeiro. Esse não é o cenário mais provável”, acrescentou.
Outra observação feita pelo prefeito é que o avanço da ciência nos permitiu ter mais elementos que mostram os impactos na vida e na saúde das pessoas.
“No passado, sem as informações que a ciência, a medicina, nos dá hoje, as pessoas morriam de calor no Rio de Janeiro em decorrência das altas temperaturas, e o diagnóstico daquela doença que a pessoa estava enfrentando não era creditado ao calor. Com o avanço da ciência, pudemos identificar os danos que as temperaturas excessivas causam à saúde das pessoas”, disse ele, acrescentando que os avanços da ciência permitiram melhorar a análise dos dados meteorológicos, que agora podem prever as temperaturas em períodos mais longos com maior certeza.
Citando sua agenda, Paes disse que, para evitar riscos aos moradores de Ramos e Bonsucesso, havia cancelado seu compromisso neste domingo, ao meio-dia, para conversar com eles sobre as obras do Programa Bairro Maravilha. “Imagine aquele solzinho do meio-dia que atua no asfalto”, disse.
O COR-Rio começou a monitorar os níveis de calor em junho do ano passado. A classificação tem cinco níveis de risco que variam de acordo com a temperatura e a umidade relativa do ar registradas na cidade. Durante a entrevista, Paes pediu uma mudança na nomenclatura do protocolo, que foi criado com fases de níveis de calor de NC1 a NC5. Em sua opinião, é mais fácil para a população entender o que significa Calor 1 a Calor 5 (C1 a C5).
Desidratação
O secretário municipal de saúde, Daniel Soranz, disse que as unidades municipais de saúde registraram um aumento na demanda por atendimento de emergência para pessoas que sofrem de desidratação.
“Só em janeiro, estimamos que 3.000 pessoas foram atendidas por problemas ligados ao calor ou à desidratação. Estamos muito preocupados com os idosos e as crianças, que sentem menos sede e pedem água com mais facilidade. Dois bebês foram levados para tratamento por causa do excesso de roupas. É importante que as mães, principalmente as de primeira viagem, fiquem atentas à desidratação das crianças”, disse ela, destacando também a preocupação da secretaria com o uso de ceras de cabelo e protetor solar caseiro, que causam queimaduras na pele. No caso das ceras, elas escorrem com o calor e podem causar queimaduras na retina, segundo a secretária.
“Isso tem sido muito comum, muito frequente nas emergências”, acrescentou.
Deve-se tomar cuidado também com pessoas com problemas cardíacos, diabéticos e hipertensos, que são mais propensos à descompensação rápida. O secretário também pediu que as pessoas tomem cuidado com seus animais de estimação para evitar que queimem as patas quando forem levados para calçadas e ruas muito quentes.
Sintomas
De acordo com a prefeitura, o calor extremo causa sintomas como aumento da frequência respiratória, agravamento de alergias e asma, agravamento da doença pulmonar obstrutiva crônica, danos ao fígado, cãibras, espasmos musculares, fraqueza, dores de cabeça, tontura, irritabilidade, perda de coordenação, confusão mental, delírio, ansiedade, perda de consciência, convulsões, derrames, arritmia, batimentos cardíacos acelerados, redução do fluxo sanguíneo para o coração, ataque cardíaco. Além disso, doença e insuficiência renal.
A secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula, disse que tem sido uma preocupação do município realizar projetos para minimizar o impacto desses efeitos climáticos. Segundo ela, o município também está se adaptando a médio e longo prazo com iniciativas de reflorestamento que vêm dando resultados positivos em relação a cerca de 15 campos de futebol ou 154 hectares.
“A ideia de que vamos conseguir frear as mudanças climáticas, o aumento da temperatura da Terra, não depende só do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro vai conseguir lidar com a sensação térmica nas próximas décadas, mas a redução dessa temperatura infelizmente não depende só do Rio. Precisamos ser capazes de construir uma pedagogia climática, mas também construir uma ideia de que todas as cidades serão capazes de se adaptar”, concluiu.





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