As cúpulas climáticas da ONU devem cumprir suas promessas: Chefe da COP30 10/03/2025
- Ana Cunha-Busch
- 9 de mar. de 2025
- 2 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
As cúpulas climáticas da ONU devem cumprir suas promessas: Chefe da COP30
O presidente brasileiro da próxima conferência climática da ONU reconheceu nesta segunda-feira as limitações de tais negociações globais e a necessidade de cumprir as promessas feitas nessas cúpulas.
André Correa do Lago, um veterano negociador climático, disse que é necessário fazer uma autocrítica e combater a crença de que as chamadas Conferências das Partes (COP) envolvem muita conversa e “resultados escassos”.
Os pedidos de reforma do processo de mudança climática da ONU vêm sendo feitos há anos, inclusive por presidentes de COPs anteriores e outras figuras globais respeitadas.
“Dada a urgência climática, precisamos de uma nova era além das negociações: devemos ajudar a colocar em prática o que acordamos”, escreveu o presidente da COP30 em uma carta às nações na segunda-feira, antes da conferência, marcada para novembro no Brasil.
Em um briefing separado para jornalistas, Correa do Lago disse que era essencial “fazer o melhor possível para vincular a abstração dessas negociações e as decisões da COP à vida real”.
Ele disse que havia uma percepção de que essas conversas - que todos os anos reúnem negociadores de quase 200 nações por quase duas semanas de negociações intensas - não estavam produzindo o que era necessário.
Ele também falou sobre os “limites” do processo climático da ONU e seu acordo histórico, o Acordo de Paris, na implementação de decisões e no pensamento mais holístico sobre como lidar com o aquecimento global.
Na COP30 em Belém, na foz do rio Amazonas, os países serão julgados por seus planos climáticos nacionais e promessas de ações mais fortes para controlar as emissões de gases de efeito estufa.
Mas o momento não é favorável para novos compromissos importantes em relação às mudanças climáticas, com a Europa transferindo dinheiro para a defesa e os Estados Unidos se retirando completamente do Acordo de Paris.
“O contexto internacional é muito difícil para as negociações”, disse Correa do Lago.
“Vamos ver como podemos acelerar o que já decidimos”.
As decisões nas cúpulas das COPs - que são supervisionadas pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas - são tomadas por consenso, o que aumenta a complexidade de se chegar a um acordo.
Em sua carta, Correa do Lago se referiu várias vezes ao conceito indígena de “mutirao”, no qual as comunidades se unem em torno de um desafio comum, e convidou o mundo a se juntar ao esforço.
“A humanidade precisa dos senhores”, disse ele, pedindo não apenas aos governos, mas também ao setor privado, à sociedade civil e à academia que se envolvam.
A presidência da COP30 também quer reunir um “círculo de presidências” da última década e líderes indígenas.
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