Brasil registra aumento de 62% na área queimada por incêndios florestais: Monitor. 24/06/2025
- Ana Cunha-Busch
- 23 de jun. de 2025
- 2 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
Brasil registra aumento de 62% na área queimada por incêndios florestais: Monitor.
Incêndios florestais históricos no Brasil no ano passado devastaram uma área maior que a Itália, registrando uma área queimada cerca de 60% maior do que a média das últimas quatro décadas, segundo um relatório divulgado na terça-feira.
O Brasil sofreu incêndios históricos no ano passado, principalmente na Amazônia, a maior floresta tropical do planeta, que é fundamental para a absorção de gases de efeito estufa da atmosfera.
De acordo com a plataforma de monitoramento MapBiomas, os incêndios devastaram 30 milhões de hectares (295.000 km²) no ano passado, um aumento de 62% em comparação com os 18,5 milhões de hectares queimados anualmente, em média.
O MapBiomas, que iniciou o registro via satélite em 1985, afirmou que a Amazônia foi responsável por mais da metade dos incêndios sofridos no Brasil, com 15,6 milhões de hectares afetados — mais que o dobro da média histórica.
O recorde é desanimador para o governo do presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, que sediará a conferência climática COP30 da ONU em novembro, na cidade amazônica de Belém.
A seca sem precedentes que atingiu o Brasil em 2024, agravada pelas mudanças climáticas, contribuiu para o número recorde de incêndios.
Autoridades e especialistas atribuem os incêndios à atividade humana e os associam ao desmatamento, muitas vezes ilegal, para pastagens e agricultura.
"A combinação de vegetação altamente inflamável, baixa umidade e o uso do fogo criou as condições perfeitas para que os incêndios se alastrassem em larga escala", disse Felipe Martenexen, coordenador da Amazônia do MapBiomas.
"Uma vez que a floresta queima, ela acaba perdendo umidade e cobertura florestal", disse ele.
"Isso acaba alterando todo esse microclima, tornando-o mais vulnerável a novos incêndios na próxima vez", alertou em entrevista coletiva.
O Pantanal, região natural que abrange a maior área úmida do mundo, localizada principalmente no Brasil, também sofreu incêndios devastadores no ano passado. Sessenta e dois por cento dessa área foi afetada por incêndios pelo menos uma vez nos últimos 40 anos.
Também estabelecendo um novo recorde em 2024, a Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do planeta, que se estende ao longo da costa oceânica do Brasil e se estende até os vizinhos Paraguai e Argentina.
Os 1,2 milhão de hectares queimados foram a maior área afetada por incêndios desde 1985 e representaram um aumento de 261% em relação à média histórica da região.
O relatório do MapBiomas também revelou que 2024 foi o segundo pior ano do Brasil em incêndios desde 2007, com quase um terço da área queimada no ano passado sofrendo com megaincêndios de mais de 100.000 hectares.
Esses grandes incêndios representam uma mudança preocupante nos padrões históricos de incêndios no país, observaram os especialistas do MapBiomas.
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