China busca expandir sua influência na governança global dos oceanos. 17/01/2026
- Ana Cunha-Busch
- 16 de jan.
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China busca expandir sua influência na governança global dos oceanos.
Na sexta-feira (17 de janeiro), a China anunciou sua candidatura para sediar o secretariado do novo tratado internacional que visa proteger os mares, reforçando a estratégia mais ampla do país de aumentar seu papel na governança ambiental global.
Em uma carta enviada ao Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, a missão da China junto à ONU propôs formalmente a cidade costeira de Xiamen como sede administrativa permanente do acordo.
O tratado deve entrar em vigor no sábado, após anos de negociações e repetidos adiamentos. A decisão final sobre o país anfitrião do secretariado é esperada para o final de 2026. Até então, Bélgica e Chile eram os principais candidatos.
Observadores consideram a iniciativa da China significativa tanto política quanto simbolicamente. Segundo Li Shuo, diretor do China Climate Hub no Asia Society Policy Institute, a candidatura sinaliza a intenção de Pequim de desempenhar um papel mais ativo na formulação das normas ambientais internacionais.
O anúncio surge poucos dias depois do presidente dos EUA, Donald Trump, ter declarado a retirada do seu país de dezenas de tratados e organizações internacionais, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), a pedra angular da governança climática global.
O tratado sobre o alto-mar — ratificado em setembro por pelo menos 60 países — procura proteger as áreas marinhas para além das zonas económicas exclusivas nacionais. Estas águas representam a maior parte dos oceanos do mundo e albergam algumas das mais ricas biodiversidades do planeta.
Os grupos ambientalistas salientam que os oceanos geram cerca de metade do oxigénio da Terra e desempenham um papel crucial na regulação do clima global. Assim que o tratado entrar em vigor, um novo órgão de decisão será encarregado de coordenar as ações em conjunto com as instituições existentes, como as organizações regionais de pesca e a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos.
Esta última tornou-se um ponto central de intenso debate sobre as regras propostas para a mineração em águas profundas, uma atividade amplamente considerada pelos cientistas e pelas organizações da sociedade civil como representando riscos ambientais significativos.
A escolha do país anfitrião do secretariado poderá moldar o equilíbrio político destas negociações nos próximos anos.
Este texto foi compilado usando dados públicos, relatórios científicos e informações de instituições meteorológicas.
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