'Construir, construir, construir': plano do primeiro-ministro canadense para conter Trump. 08/09/2025
- Ana Cunha-Busch
- 8 de set. de 2025
- 3 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
'Construir, construir, construir': plano do primeiro-ministro canadense para conter Trump
Geneviève NORMAND
Na noite em que venceu as eleições canadenses, o primeiro-ministro Mark Carney resumiu seu plano para impulsionar a economia do país em resposta às ameaças do presidente Donald Trump.
"Construir, construir, construir!", disse Carney a uma multidão eufórica de apoiadores do Partido Liberal em abril.
Nas primeiras semanas de seu primeiro mandato, os planos de Carney para construir tomaram forma, liderados pelo novo "Escritório de Grandes Projetos", lançado no mês passado para liderar a construção de portos, rodovias, minas e talvez um novo oleoduto — um assunto controverso para grupos preocupados com o meio ambiente.
O escritório, que deve anunciar suas prioridades nos próximos dias, foi formado depois que os liberais de Carney obtiveram apoio de todos os partidos para aprovar uma legislação que autoriza seu governo a acelerar "projetos de construção nacional".
"Estamos avançando em uma velocidade não vista há gerações", disse Carney, um nível de urgência que, segundo ele, é necessário enquanto Trump remodela a economia global.
As ameaças de Trump de anexar o Canadá diminuíram, mas sua guerra comercial está prejudicando a economia canadense.
As tarifas americanas sobre automóveis, aço e alumínio pressionaram os três setores cruciais e levaram à perda de empregos.
A taxa de desemprego atingiu 7,1% em agosto, o nível mais alto desde 2016, fora da pandemia.
Isso "aumenta a evidência de que a guerra comercial está afetando os mercados de trabalho canadenses", disse Claire Fan, economista sênior do RBC, esta semana.
- 'Economia em perigo' -
Desde que ingressou na política no início deste ano, Carney insiste que o Canadá precisa romper com sua dependência de décadas do comércio com os EUA, revitalizando o comércio interno e, ao mesmo tempo, buscando novos mercados na Europa e na Ásia.
Durante uma visita à Alemanha no mês passado, Carney afirmou que seu governo estava "liberando meio trilhão de dólares em investimentos" em infraestrutura para energia, portos e outros setores.
Jay Khosla, especialista em energia do Fórum de Políticas Públicas, afirmou que o impulso para a construção não teria sido possível sem Trump.
"Sabemos que nossa economia está em perigo", disse ele, observando que o Canadá foi efetivamente "capturado economicamente" devido à sua proximidade com os Estados Unidos.
- "Superpotência energética"? -
O Canadá é o quarto maior exportador de petróleo do mundo e suas reservas de petróleo bruto são as terceiras maiores do mundo.
A maior parte de seus recursos está na província ocidental de Alberta, que exporta quase exclusivamente para os Estados Unidos, já que o Canadá não possui a infraestrutura necessária para levar produtos energéticos de forma eficiente para outros mercados estrangeiros.
O ex-primeiro-ministro Justin Trudeau, antecessor de Carney, colocou as mudanças climáticas no centro de sua identidade política e enfrentou críticas de alguns por sua suposta falta de apoio ao setor energético.
Em uma mudança em relação à era Trudeau, os liberais de Carney agora apoiam a exportação de gás natural liquefeito (GNL) para a Europa.
"O que ouvimos em alto e bom som dos compradores e usuários alemães de GNL é que eles acreditam que há demanda e querem comprar nossos produtos", disse o ministro da Energia, Tim Hodgson, em Berlim na semana passada.
Carney tem afirmado repetidamente que o Canadá "pode ser uma superpotência energética".
Mas nem todos estão entusiasmados com esse plano.
O Greenpeace acusou o primeiro-ministro de apoiar "infraestruturas que destroem o clima", ignorando a energia limpa.
Carney provavelmente poderá prosseguir, apesar das preocupações de ONGs pró-clima, mas o apoio de líderes indígenas — para quem a proteção do meio ambiente é a principal prioridade — é visto como essencial.
Apesar dos esforços de Carney para garantir o apoio indígena para seus grandes projetos, a preocupação persiste.
"Sabemos como é ter Trump na nossa fronteira. Não vamos fazer isso e adotar políticas semelhantes às de Trump", disse Cindy Woodhouse, chefe nacional da Assembleia das Primeiras Nações, criticando o apoio de Carney à infraestrutura energética.
"Vamos dedicar tempo e fazer as coisas direito."
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