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Crise silenciosa: impacto dos plásticos na saúde humana pode dobrar até 2040. 27/01/2026

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    Ana Cunha-Busch
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

Photo Unsplash by Antoine Giret
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Crise silenciosa: impacto dos plásticos na saúde humana pode dobrar até 2040


Paris – A produção, o uso e o descarte de plásticos representam uma ameaça crescente à saúde humana e podem provocar um aumento dramático de doenças e mortes nas próximas décadas, caso não haja mudanças estruturais urgentes no modelo global de consumo. O alerta vem de um novo estudo científico publicado na revista The Lancet Planetary Health.


A pesquisa, conduzida por cientistas do Reino Unido e da França, é a primeira a estimar globalmente os impactos do ciclo de vida do plástico sobre a saúde humana, considerando desde a extração de petróleo e gás até o destino final dos resíduos em aterros e ambientes naturais.


Utilizando o indicador de Anos de Vida Ajustados por Incapacidade (DALYs) — que mede os anos perdidos por morte precoce ou por viver com doenças — os pesquisadores estimam que os danos associados ao plástico podem mais que dobrar: de 2,1 milhões de anos de vida perdidos em 2016 para 4,5 milhões em 2040, caso o mundo mantenha o atual ritmo de produção.


Segundo o estudo, o principal fator de impacto é a contribuição da indústria do plástico para o aquecimento global, seguida pela poluição do ar e pela exposição a substâncias químicas tóxicas. Os autores destacam que os números ainda são conservadores, já que não incluem efeitos amplamente discutidos, como a presença de microplásticos no corpo humano ou a migração de químicos das embalagens para os alimentos.


“Estamos diante de uma subestimação clara dos riscos reais”, afirmou a pesquisadora Megan Deeney, da London School of Hygiene & Tropical Medicine. Para ela, o plástico deve ser tratado como um problema central de saúde pública, e não apenas como uma questão de gestão de resíduos.


Do petróleo ao lixo: um ciclo nocivo

O estudo ilustra o problema a partir de um item cotidiano: a garrafa plástica de água. Mais de 90% dos plásticos começam sua trajetória na extração de combustíveis fósseis. Esses materiais passam por processos industriais complexos e altamente poluentes até se transformarem em produtos como o PET, amplamente usado em embalagens.


Em regiões como o corredor petroquímico da Louisiana, nos Estados Unidos — conhecido como “Cancer Alley” — comunidades inteiras convivem com altos índices de doenças associadas à poluição industrial. Após o uso, a maioria dos produtos plásticos não é reciclada e acaba em aterros, onde pode levar séculos para se decompor, liberando substâncias tóxicas no solo, na água e no ar.

Reciclar não basta


Os pesquisadores também analisaram cenários alternativos e chegaram a uma conclusão clara: a reciclagem, sozinha, tem impacto limitado na redução dos danos à saúde. A estratégia mais eficaz é reduzir drasticamente a produção de plásticos considerados desnecessários, especialmente os de uso único.


O alerta ganha ainda mais peso em um momento de impasse político. As negociações para um tratado internacional contra a poluição plástica fracassaram em agosto passado, após resistência de países produtores de petróleo. Ainda assim, os autores reforçam que governos podem — e devem — agir em nível nacional.


“A crise do plástico é global, mas as respostas podem começar agora, em cada país”, afirmou Deeney. “Trata-se de proteger a saúde humana e os ecossistemas dos quais dependemos.”


The Green Amazon News – International


This text was compiled using public data, scientific reports, and information from meteorological institutions.


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The Green Amazon News Editorial Team

 
 
 

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