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EUA se preparam para intensa temporada de furacões enquanto agência climática é desmantelada. 24/05/2025

  • Foto do escritor: Ana Cunha-Busch
    Ana Cunha-Busch
  • 23 de mai. de 2025
  • 3 min de leitura

Rua inundada com detritos após o furacão Milton, em Siesta Key, Flórida, em 10 de outubro de 2024 (CHANDAN KHANNA)
Rua inundada com detritos após o furacão Milton, em Siesta Key, Flórida, em 10 de outubro de 2024 (CHANDAN KHANNA)

Por AFP - Agência France Presse


EUA se preparam para intensa temporada de furacões enquanto agência climática é desmantelada.

Por Issam AHMED


A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) previu na quinta-feira uma temporada de furacões mais intensa no Atlântico este ano, mesmo com o governo Trump tomando medidas para reduzir o quadro de funcionários da agência e cortar seu orçamento.


A NOAA prevê 60% de chance de uma temporada acima do normal, com 13 a 19 tempestades nomeadas com ventos de 39 mph (63 km/h) ou mais.


Dessas, seis a dez devem se tornar furacões com ventos de 74 mph ou mais, incluindo três a cinco furacões de grande intensidade classificados como categorias três, quatro ou cinco, com ventos sustentados de pelo menos 111 mph.


Há também 30% de chance de uma temporada quase normal e 10% de chance de uma temporada abaixo do normal, informou a agência.


O governo também está buscando desmantelar a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA), pedindo que ela seja fechada e suas funções transferidas para os estados individuais.


O chefe interino da FEMA, Cameron Hamilton — que foi nomeado pelo governo Trump — foi demitido no início deste mês após afirmar que a eliminação da agência não era “do interesse do povo americano”.


A previsão cita uma confluência de fatores: condições neutras no padrão climático El Niño-Oscilação Sul (ENSO), temperaturas oceânicas acima da média, previsões de cisalhamento do vento fraco e aumento da atividade da monção da África Ocidental — o ponto de partida dos furacões no Atlântico.


“Como testemunhamos no ano passado com inundações significativas no interior causadas pelos furacões Helene e Debby, os impactos dos furacões podem ir muito além das comunidades costeiras”, disse a administradora interina da NOAA, Laura Grimm, em um comunicado.


“A NOAA é fundamental para fornecer previsões e alertas precoces e precisos, além de fornecer o conhecimento científico necessário para salvar vidas e propriedades.”


Mas Rick Spinrad, ex-administrador da NOAA, disse à AFP que estava profundamente preocupado com a capacidade da agência de responder após demissões em massa de meteorologistas, técnicos e outros funcionários essenciais, lideradas pelo chamado “Departamento de Eficiência Governamental” de Elon Musk.


“Preocupo-me com a capacidade de pilotar as aeronaves, operar os modelos e atender os telefones quando essas tempestades começarem a se aproximar do país — ao mesmo tempo em que o Serviço Meteorológico terá que lidar com tornados, incêndios florestais, inundações e precipitações extremas”, disse Spinrad.


As temperaturas da água do mar vêm subindo há décadas como resultado da queima de combustíveis fósseis, acrescentou Spinrad. “Portanto, não é uma surpresa e, sem dúvida, as mudanças climáticas contribuíram para algumas das temperaturas oceânicas que são um fator importante nesta previsão.”


O presidente Donald Trump pretende cortar US$ 1,3 bilhão do orçamento para operações de pesquisa da NOAA no próximo ano. O Projeto 2025 — o plano conservador que o governo está usando para orientar sua agenda para o segundo mandato — classificou a agência como um dos principais impulsionadores do “alarmismo climático”.



No ano passado, cinco tempestades grandes o suficiente para receberem nomes causaram perdas econômicas superiores a um bilhão de dólares, ajustadas pela inflação, de acordo com a NOAA.


A mais mortal delas foi a Helene, responsável por 250 mortes nos EUA — o maior número desde o furacão Katrina, em 2005.


O governo Trump anunciou no início deste mês que deixará de atualizar seu banco de dados de desastres de bilhões de dólares, que por 44 anos ilustrou o custo crescente da desestabilização climática.


ia/md

 
 
 

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