Inaladores comuns têm um alto custo climático, segundo estudo. 08/10/2025
- Ana Cunha-Busch
- 7 de out. de 2025
- 3 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
Inaladores comuns têm um alto custo climático, segundo estudo
Issam AHMED
Os inaladores dos quais as pessoas dependem para respirar também estão aquecendo o planeta, produzindo emissões anuais equivalentes a mais de meio milhão de carros somente nos Estados Unidos, disseram pesquisadores na segunda-feira em um novo e importante estudo.
Usando um banco de dados nacional de medicamentos, pesquisadores da Universidade da Califórnia, Los Angeles e Harvard analisaram a poluição causada pelo aquecimento global de três tipos de inaladores usados para tratar asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) entre 2014 e 2024.
O estudo, publicado no Journal of the American Medical Association, descobriu que os inaladores usados por pacientes americanos com seguro comercial e os programas governamentais Medicaid e Medicare geraram 24,9 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente ao longo da década.
Os inaladores dosimetrados, ou "puffers", foram de longe os mais prejudiciais, respondendo por 98% das emissões. Eles usam recipientes pressurizados contendo propelentes de hidrofluoroalcano (HFA) — gases de efeito estufa potentes — para administrar medicamentos.
Em contraste, os inaladores de pó seco e névoa suave não usam propelentes. Os primeiros dependem da respiração do paciente para liberar o medicamento, e os segundos transformam o líquido em um spray fino — tornando ambos muito menos prejudiciais ao planeta.
"Quinhentos e trinta mil carros nas ruas a cada ano é muito, e acho que este é um tópico realmente importante porque pode ser corrigido — existem maneiras fáceis de reduzir as emissões", disse à AFP o autor principal William Feldman, pneumologista e pesquisador da UCLA.
Do ponto de vista médico, apenas uma pequena fração dos pacientes necessita de inaladores dosimetrados.
Crianças muito pequenas precisam de espaçadores — câmaras valvuladas que ajudam a levar o medicamento aos pulmões — e estes só funcionam com dispositivos dosimetrados. Idosos frágeis com pulmões fracos também podem precisar de inaladores porque não conseguem gerar força de inalação suficiente.
"Mas a grande maioria das pessoas poderia usar inaladores de pó seco ou névoa suave", disse Feldman, observando que países como Suécia e Japão usam inaladores alternativos sem qualquer prejuízo nos resultados de saúde.
A adoção mais lenta de inaladores mais ecológicos nos EUA, acrescentou, decorre de barreiras de mercado e de seguros.
Uma versão em pó seco do albuterol, o medicamento inalatório mais comumente usado, existe, mas muitas vezes não é coberta por seguros, o que o torna mais caro. Outro medicamento, budesonida-formoterol, é amplamente vendido na forma de pó seco na Europa, mas não está disponível nos Estados Unidos.
Feldman enfatizou que o objetivo da pesquisa não é culpar os pacientes, mas destacar a necessidade de reforma de políticas e preços.
"Não queremos estigmatizar pacientes com asma e DPOC", disse ele.
"Acho que é nossa responsabilidade, como sociedade. Esses medicamentos são fornecidos aos pacientes de forma sustentável, e isso, em última análise, recai sobre os níveis mais altos."
Um comentário relacionado no JAMA, de autoria de Alexander Rabin, da Universidade de Michigan, e outros, ecoou a ideia de que seguradoras e formuladores de políticas devem garantir que inaladores de baixa emissão sejam acessíveis e de baixo custo para todos.
Eles alertaram que vários novos inaladores dosimetrados de baixo aquecimento global devem ser lançados nos EUA como produtos de marca de alto preço, "aumentando o risco de que pacientes sem cobertura de seguro robusta... sejam deixados para trás."
ia/des





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