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Luta para salvar as últimas florestas das Comores une agricultores e ONGs. 18/08/2025

  • Foto do escritor: Ana Cunha-Busch
    Ana Cunha-Busch
  • 17 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura
Comores perderam 80% de suas florestas naturais entre 1995 e 2014, afirma ministro do Meio Ambiente (MARCO LONGARI)  MARCO LONGARI/AFP/AFP
Comores perderam 80% de suas florestas naturais entre 1995 e 2014, afirma ministro do Meio Ambiente (MARCO LONGARI).MARCO LONGARI/AFP/AFP

Por AFP - Agence France Presse


Luta para salvar as últimas florestas das Comores une agricultores e ONGs

Faïza SOULE YOUSSOUF


Faixas de terra nua marcam as encostas verdejantes e exuberantes das montanhas que se erguem sobre Mutsamudu, capital da ilha de Anjouan, no Oceano Índico.


Na ilha mais montanhosa e densamente povoada das Comores, apenas as florestas mais remotas escaparam de décadas de desmatamento — devastação que várias ONGs agora tentam reparar.


"Perdemos 80% de nossas florestas naturais entre 1995 e 2014", disse Abubakar Ben Mahmoud, ministro do Meio Ambiente do país ao norte de Moçambique, em entrevista recente à AFP.


O desmatamento para cultivo agravou os danos causados pela produção do óleo essencial de ylang-ylang, usado em perfumes de luxo, e pela fabricação das tradicionais portas de madeira entalhada, pelas quais a ilha é famosa.


Com uma alta densidade populacional de mais de 700 habitantes por quilômetro quadrado, "o desmatamento se intensificou à medida que os agricultores buscam terras aráveis para suas atividades", disse o ministro.


As manchas marrons e áridas nas encostas são nitidamente visíveis da sede da Dahari, uma organização líder no combate ao desmatamento, sediada nas colinas de Mutsamudu.


A ONG lançou no ano passado um programa de reflorestamento, trabalhando em conjunto com agricultores locais, chamados de "guardiões da água".


Sob um contrato de conservação de cinco anos, os agricultores se comprometem a replantar suas terras ou deixá-las em pousio em troca de uma compensação financeira, disse um dos gerentes do projeto, Misbahou Mohamed.


A primeira fase envolveu 30 agricultores, com a compensação paga após a inspeção das parcelas.


- Perfume e fumaça -


Outro contribuinte significativo para o desmatamento em Anjouan, a indústria do óleo essencial de ylang-ylang, tem atendido, nos últimos anos, aos apelos para limitar seu impacto.


As Comores estão entre os maiores produtores mundiais da delicada e adocicada flor amarela, apreciada por suas supostas propriedades relaxantes e amplamente utilizada em perfumes como o famoso Chanel nº 5.


A produção de ylang-ylang, baunilha e cravo compõe grande parte da produção agrícola do arquipélago, que representa um terço do seu PIB.


O país tem cerca de 10.000 produtores de ylang-ylang, a maioria sediada em Anjouan, de acordo com um relatório encomendado pela Agência Francesa de Desenvolvimento para um projeto de apoio às exportações agrícolas comorenses.


A queima de madeira é a fonte mais barata de combustível para o processo de destilação, destacou o relatório, sendo necessários 250 quilos (550 libras) para produzir um litro de óleo essencial.


Alguns produtores estão tentando limitar o uso de madeira, como Mohamed Mahamoud, de 67 anos, que afirmou ter reduzido o consumo pela metade ao modernizar seus equipamentos.


"Agora uso alambiques de aço inoxidável de terceira geração, com um forno aprimorado, equipado com portas e chaminés", disse Mahamoud, que cultiva e destila ylang-ylang perto da cidade de Bambao Mtsanga há quase 45 anos.


Para evitar a invasão da floresta, a maior parte de sua madeira agora vem de mangueiras e árvores de fruta-pão que ele mesmo cultiva.


- Ríos secando -


Nos últimos anos, alguns produtores passaram a usar petróleo bruto para abastecer seus alambiques.


Mas isso custa o dobro da madeira, disse um exportador de ylang-ylang, que pediu para permanecer anônimo.


E os altos preços da eletricidade em Comores significam que o uso de energia elétrica custaria 10 vezes mais, "sem mencionar os longos períodos de cortes de energia", disse ele.


Parte do esforço para reduzir o consumo de madeira vem de uma observação alarmante: o desmatamento não está apenas destruindo as montanhas de Anjouan, como também secando seus rios.


As florestas são essenciais para "a infiltração da água que alimenta rios e aquíferos... como uma esponja que retém água e a libera gradualmente", disse o hidroclimatologista Abdoul Oubeidillah.


"Em 1925, havia 50 rios com forte fluxo de água durante todo o ano", disse Bastoini Chaambani, da ONG de proteção ambiental Dayima. "Hoje, existem menos de 10 rios com fluxo contínuo."


O governo das Comores anunciou, entretanto, que também pretende participar dos esforços de reflorestamento.


"Faremos tudo o que pudermos para salvar a pouca floresta que nos resta", disse o ministro do Meio Ambiente.


str-fal/jcb/br/sbk/jhb

 
 
 

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