Líderes do BRICS denunciam protecionismo e "chantagem" tarifária. 08/09/2025
- Ana Cunha-Busch
- 7 de set. de 2025
- 3 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
Líderes do BRICS denunciam protecionismo e "chantagem" tarifária.
Líderes do bloco BRICS, composto por 11 membros, criticaram o protecionismo econômico e a "chantagem tarifária" durante uma reunião virtual realizada na segunda-feira, em meio a uma guerra comercial prejudicial com o presidente dos EUA, Donald Trump.
O grupo de economias emergentes se reuniu por videoconferência por iniciativa do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, cujo gabinete afirmou ser necessário abordar a "intensificação de medidas unilaterais".
O BRICS representa quase 40% do PIB global e quase metade da população mundial.
Seus membros estão entre os mais afetados pelo que Lula chamou na segunda-feira de "chantagem tarifária" e práticas comerciais "injustificadas e ilegais".
O presidente chinês, Xi Jinping, por sua vez, defendeu a manutenção do "sistema multilateral de comércio com a Organização Mundial do Comércio em seu cerne" e a rejeição de "todas as formas de protecionismo".
As tensões entre os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias do mundo, resultaram em tarifas retaliatórias que atingiram três dígitos no início deste ano, antes de serem reduzidas novamente.
No caso do Brasil, Trump aplicou sua tarifa comercial máxima – 50% – a uma série de produtos da maior economia da América Latina.
Trump está punindo o Brasil pelo que chama de "caça às bruxas" contra seu aliado de direita, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo julgado por supostamente planejar um golpe para retomar o poder de Lula após a derrota nas eleições de 2022.
O veredito do julgamento é esperado para esta semana.
"A chantagem tarifária está sendo normalizada como um instrumento para conquistar mercados e interferir em assuntos internos", disse Lula na segunda-feira.
- 'Grandes dificuldades' -
Washington também impôs tarifas de até 50% sobre as importações indianas, acusando Nova Déli de alimentar os ataques mortais de Moscou à Ucrânia ao comprar petróleo russo.
O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, disse na cúpula do BRICS que o mundo precisava de um comércio sustentável, acrescentando que "aumentar as barreiras e complicar as transações não ajudarão".
O presidente russo, Vladimir Putin, também participou da reunião virtual dias após se reunir com Xi, Kim Jong-un, da Coreia do Norte, e Narendra Modi, da Índia, na China, onde líderes regionais criticaram o "comportamento intimidador" dos Estados Unidos.
Trump atacou a África do Sul, envolvida em uma disputa com Washington sobre uma série de políticas domésticas e internacionais, com uma tarifa de 30% — a mais alta da África Subsaariana.
Trump, que citou repetidamente alegações desmentidas de um "genocídio" de sul-africanos brancos, não participará da cúpula do G20 em Joanesburgo ainda este ano.
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, em um discurso preparado, disse aos seus homólogos do BRICS que "ações tarifárias unilaterais estão contribuindo para um ambiente cada vez mais protecionista que representa grandes dificuldades e perigos para os países do Sul Global".
Em julho, Trump atacou os BRICS e ameaçou seus membros com tarifas de exportação adicionais após eles expressarem preocupação de que sua guerra comercial estivesse colocando a economia global em risco.
"Devemos permanecer firmes na promoção da construção de uma economia global aberta, compartilhando oportunidades e alcançando resultados vantajosos para todos por meio da abertura", destacou Xi na segunda-feira.
Outros membros do BRICS são Indonésia, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Lula também aproveitou a cúpula para denunciar o aumento da presença militar dos EUA no Caribe, que, segundo ele, acrescentou "um fator de tensão".
Washington enviou navios de guerra e aeronaves para o que classificou como uma operação antidrogas e explodiu um suposto barco de narcotráfico, matando 11 pessoas e aumentando o temor de uma invasão na Venezuela.
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