Nova onda: Força marítima transformada em energia no porto de Los Angeles.
- Ana Cunha-Busch
- 3 de set. de 2025
- 3 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
Nova onda: Força marítima transformada em energia no porto de Los Angeles
SAN PEDRO, CALIFÓRNIA – Pás flutuantes azuis dançam sobre as ondas que lambem um píer no Porto de Los Angeles, convertendo silenciosamente a força do mar em eletricidade utilizável.
Esta instalação inovadora pode ser uma das chaves para acelerar a transição para o abandono dos combustíveis fósseis, que os cientistas consideram necessária para que o mundo evite os piores efeitos das mudanças climáticas.
"O projeto é muito simples e fácil", disse Inna Braverman, cofundadora da startup israelense Eco Wave Power.
Parecidos com teclas de piano, os flutuadores sobem e descem a cada onda.
Eles são conectados a pistões hidráulicos que empurram um fluido biodegradável através de tubulações até um recipiente cheio de acumuladores, que lembram grandes cilindros vermelhos de mergulho.
Quando a pressão é liberada, uma turbina gira, gerando corrente elétrica.
Se este projeto piloto convencer as autoridades da Califórnia, Braverman espera cobrir todo o quebra-mar de 13 quilômetros que protege o porto com centenas de flutuadores que, juntos, produziriam eletricidade suficiente para abastecer 60.000 residências nos EUA.
Os defensores da tecnologia afirmam que a energia das ondas é uma fonte de energia infinitamente renovável e sempre confiável.
Ao contrário da energia solar, que não produz nada à noite, ou da energia eólica, que depende do clima, o mar está sempre em movimento.
E há muita energia.
Tecnologia robusta
As ondas da costa oeste americana poderiam, teoricamente, abastecer 130 milhões de residências — ou fornecer cerca de um terço da eletricidade usada anualmente nos Estados Unidos, de acordo com o Departamento de Energia dos EUA.
No entanto, a energia das ondas continua sendo a parente pobre de outras energias renováveis mais conhecidas e não foi comercializada com sucesso em escala suficiente.
A história do setor está repleta de naufrágios de empresas e projetos afundados pela brutalidade do alto mar. Desenvolver dispositivos robustos o suficiente para suportar a fúria das ondas, enquanto transmitem eletricidade por cabos submarinos até a costa, provou ser uma tarefa impossível até agora.
"Noventa e nove por cento dos concorrentes optaram por instalar no meio do oceano, onde é supercaro, onde quebra o tempo todo, então eles não conseguem realmente fazer os projetos funcionarem", disse Braverman.
Com seu dispositivo retrátil montado na doca, a empreendedora acredita ter encontrado a resposta.
"Quando as ondas estão muito altas para o sistema suportar, os flutuadores simplesmente sobem até a tempestade passar, então não há danos."
O projeto agrada a Krish Thiagarajan Sharman, professor de engenharia mecânica na Universidade de Massachusetts Amherst.
"O calcanhar de Aquiles da energia das ondas está nos custos de manutenção e inspeção", disse ele.
"Portanto, ter um dispositivo próximo à costa, onde você possa caminhar sobre um quebra-mar e depois inspecioná-lo, faz muito sentido."
Sharman, que não é afiliado ao projeto e cujo laboratório está testando diversos equipamentos de energia das ondas, disse que os projetos tendem a ser adequados para demandas de menor escala, como o fornecimento de energia para ilhas remotas.
"Este quebra-mar de 13 quilômetros não é algo comum. É uma oportunidade rara, um local raro onde uma frente de onda tão longa está disponível para a produção de energia", disse ele.
Demanda de energia da IA
A Eco Wave Power, de Braverman, já está pensando no futuro, tendo identificado dezenas de outros locais nos Estados Unidos que poderiam ser adequados para projetos semelhantes.
O projeto é anterior à administração do presidente americano Donald Trump, mas mesmo antes que o ambiente político em Washington se voltasse contra as energias renováveis, a empresa já estava olhando para além dos EUA.
Em Israel, até 100 casas no porto de Jaffa foram abastecidas por ondas desde dezembro.
Até 2026, 1.000 residências no Porto, Portugal, deverão estar conectadas, com instalações também planejadas em Taiwan e na Índia.
Braverman sonha com projetos de 20 megawatts, uma capacidade crítica necessária para fornecer eletricidade a preços que possam competir com a energia eólica.
E, segundo ela, as instalações não prejudicarão a vida selvagem local.
"O impacto ambiental é zero. Nós nos conectamos a estruturas artificiais existentes, que já perturbam o meio ambiente."
Promessas como essa repercutem na Califórnia, onde a Comissão de Energia destacou em um relatório recente o potencial da energia das ondas para ajudar o estado a atingir a neutralidade de carbono até 2045.
"A quantidade de energia que consumimos só aumenta com a era da IA e dos data centers", disse Jenny Krusoe, fundadora da AltaSea, organização que ajudou a financiar o projeto.
"Portanto, quanto mais rápido pudermos levar essa tecnologia para o litoral, melhor para a Califórnia."
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