O clima brasileiro vence antes da COP30. 16/10/2025
- Ana Cunha-Busch
- 15 de out. de 2025
- 3 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
O clima brasileiro vence antes da COP30
Ramon SAHMKOW
O presidente brasileiro reduziu o desmatamento na Amazônia e trabalhou para proteger melhor os povos indígenas, o que lhe rendeu um histórico ambiental geralmente positivo enquanto se prepara para sediar a COP30, a conferência climática da ONU, em um mês.
No entanto, o veterano esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um forte lobby do agronegócio no Congresso que tenta enfraquecer as leis ambientais, e o presidente enfureceu ativistas ambientais com seu apoio à expansão da exploração de petróleo.
Eis o que os especialistas dizem que ele está fazendo corretamente:
- A recuperação climática do Brasil -
O político de 79 anos retornou ao poder após anos de desmatamento desenfreado na Amazônia sob o governo de seu antecessor, Jair Bolsonaro, cético em relação ao clima.
"O Brasil está de volta", declarou ele na COP27, no Egito, logo após sua reeleição, recebendo uma recepção de astro ao se comprometer a proteger uma floresta tropical com bilhões de árvores que absorvem carbono e são uma proteção fundamental contra o aquecimento global.
Ele anunciou planos de sediar a COP30 na própria Amazônia para que os líderes mundiais pudessem conhecer em primeira mão um dos ecossistemas mais ricos da Terra.
Outra mensagem forte foi a escolha de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, por Lula — que reduziu drasticamente o desmatamento durante seu primeiro mandato.
A dupla já havia se desentendido anteriormente sobre o conflito entre os objetivos de desenvolvimento e a proteção ambiental.
Eles começaram a reconstruir as agências ambientais brasileiras e Lula também reativou o Fundo Amazônia, um mecanismo internacional de financiamento para proteger a floresta que havia sido suspenso no governo Bolsonaro.
- Redução da perda florestal -
Lula prometeu desmatamento zero até 2030.
No último ano da presidência de Bolsonaro, em 2022, o desmatamento atingiu mais de 10.000 quilômetros quadrados (3.861 milhas quadradas) — uma área aproximadamente do tamanho do Líbano.
Esse número caiu em mais da metade até 2024, chegando a 4.200 quilômetros quadrados.
No entanto, em 2024, o Brasil sofreu uma das piores ondas de incêndios florestais já registradas. As chamas, frequentemente associadas à atividade agrícola, ficaram descontroladas em meio a uma seca histórica ligada às mudanças climáticas.
Silva disse que os incêndios se tornaram uma das principais causas do desmatamento.
A perda florestal também diminuiu em outros biomas sensíveis, como o Cerrado, uma vasta região de savana tropical no centro do Brasil.
- Terras indígenas -
As terras indígenas são vistas como uma barreira fundamental ao desmatamento da Amazônia.
Lula criou um Ministério do Índio e legalizou 16 reservas indígenas durante seu terceiro mandato — um processo que havia sido paralisado em governos anteriores.
Marcio Astrini, do Observatório do Clima, um coletivo de ONGs, disse que a demarcação de terras indígenas era particularmente importante caso um candidato cético em relação ao clima vença as eleições presidenciais de 2026.
"Um novo governo pode retirar o financiamento de políticas climáticas, mas não poderá desfazer uma área indígena protegida", disse ele à AFP.
As políticas governamentais também expulsaram invasores de mais de 180.000 quilômetros quadrados de terras indígenas — uma área um pouco menor que o Uruguai —, de acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai).
As populações locais "recuperaram a liberdade de circulação, retomaram a caça... recuperaram seu território", disse à AFP Nilton Tubino, coordenador de políticas indigenistas do governo federal no estado de Roraima, no norte da Amazônia.
- Financiamento da proteção florestal -
O governo brasileiro também elaborou uma iniciativa global para financiar a conservação de florestas ameaçadas: o Fundo Floresta Tropical para Sempre (TFFF).
"Esta é a principal contribuição que o Brasil pretende dar à COP", disse o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
As autoridades vislumbram o TFFF como um fundo com mais de US$ 100 bilhões em capital público e privado.
Há três semanas, Lula anunciou que o Brasil investiria US$ 1 bilhão nessa iniciativa durante um discurso em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU.
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