top of page
cover.jpg

Perfuração em busca de água na árida cidade petrolífera da Venezuela 28/06/2025

  • Foto do escritor: Ana Cunha-Busch
    Ana Cunha-Busch
  • 27 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura
Abastecer-se de água tornou-se uma tarefa quase diária para os moradores da cidade venezuelana de Maracaibo, onde a infraestrutura estatal em ruínas tornou a água potável encanada extremamente escassa (Alejandro Paredes) (Alejandro Paredes/AFP/AFP)
Abastecer-se de água tornou-se uma tarefa quase diária para os moradores da cidade venezuelana de Maracaibo, onde a infraestrutura estatal em ruínas tornou a água potável encanada extremamente escassa (Alejandro Paredes) (Alejandro Paredes/AFP/AFP)

Por AFP - Agence France Presse


Perfuração em busca de água na árida cidade petrolífera da Venezuela

Gustavo OCANDO


Em Maracaibo, capital do petróleo da Venezuela, um frenesi de perfuração levou à abertura de dezenas de novos poços — mas o líquido valioso que está sendo bombeado é apenas água, não petróleo.


Em um símbolo dos problemas da economia em ruínas da Venezuela, a outrora próspera cidade petrolífera de 2 milhões de habitantes está árida.


Especialistas atribuem a escassez nacional de água potável à corrupção e a anos de subinvestimento e má gestão por parte dos governos nacional e local, resultando em frequentes cortes de água.


A infraestrutura corroída levou escolas, residências, empresas, igrejas e centros de saúde a cavarem seus próprios poços — a um custo enorme.


Um poço particular custa entre US$ 1.000 e US$ 6.000, uma fortuna no país caribenho atingido por sanções, onde o salário mínimo mensal gira em torno de US$ 200.


Como resultado, casas que já vêm com poço e gerador prontos — os venezuelanos também convivem com cortes recorrentes de energia — são vendidas a preços mais altos.


Embora o racionamento de água esteja em vigor nas cidades venezuelanas há anos, a situação em Maracaibo se tornou crítica, com estações de bombeamento quebrando, tubulações antigas vazando e reservatórios secando.


- "É uma bênção"


Não saiu água das torneiras em certas partes da cidade por mais de um mês no início de 2025.


Manuel Palmar e outras seis famílias do bairro de classe média baixa de Ziruma previram a situação há quatro anos.


Cada um pagou US$ 2.500 para construir um poço de 12 metros de profundidade, que pode armazenar até cerca de 80.000 litros de água de nascente por semana.


Agora, quando Palmar abre a torneira, a água jorra de graça.


A água não é própria para consumo devido à sua alta salinidade — a água salgada do Mar do Caribe infiltra-se no Lago Maracaibo, um lago costeiro usado como fonte de água doce — mas "é perfeita para lavar roupas e dar descarga em vasos sanitários", explicou.


"É uma bênção!", disse o contador de 34 anos.


Há uma solução para cada orçamento.


Alguns moradores enchem tambores de 200 litros em postos de abastecimento oficiais ou torneiras comunitárias por US$ 2 a US$ 3.


Outros contratam um caminhão-pipa para encher o tanque de seu prédio por entre US$ 40 e US$ 60.


Alguns até reciclam a água produzida pelos onipresentes aparelhos de ar-condicionado da cidade tropical ou coletam água da chuva.


Mas essas são soluções rápidas.


- Água potável salobra


Nos últimos seis anos, cada vez mais moradores começaram a cavar poços para garantir seu abastecimento a longo prazo.


Gabriel Delgado construiu cerca de 20 poços em Maracaibo, incluindo em uma clínica de doenças cardíacas e quatro escolas particulares.


Ele também construiu um na casa de sua sogra: um cilindro de cimento cinza, com um metro e meio de diâmetro, enterrado sob chapas de metal e pedras.


Teias de aranha balançam logo acima do nível da água, mas assim que ele aciona a bomba, a água jorra.


É cristalina, diferente do líquido amarelado que escorre das torneiras da cidade durante a estação chuvosa, e Delgado a bebe avidamente.


Os venezuelanos precisam obter autorização das autoridades sanitárias e ambientais antes de perfurar um poço e são obrigados a fornecer amostras de água para análise, a fim de garantir que ela esteja própria para consumo após a construção.


Mas nem todos se importam.


Javier Otero, chefe do departamento municipal de águas de Maracaibo, disse à AFP que se deparou com poços artesanais rasos construídos perto de esgotos ou barrancos poluídos.


"Algumas pessoas bebem água que não é potável, que é salobra", disse ele à AFP.


O município construiu sete poços para abastecer os bairros mais pobres de Maracaibo.


str-jt/cb/jgc/tjx

 
 
 

Comentários


Newsletter

 Subscreva agora o newsletter do Green Amazon e embarque na nossa viagem de descoberta, conscientização e ação em prol do Planeta

Email enviado com sucesso.

bg-02.webp

Patrocinadores & Colaboradores

Nossos Patrocinadores e Colaboradores desempenham um papel fundamental em tornar possível a realização de projetos inovadores, iniciativas educativas e a promoção da conscientização ambiental. 

LOGO EMBLEMA.png
Logo Jornada ESG.png
Logo-Truman-(Fundo-transparente) (1).png
  • Linkedin de Ana Lucia Cunha Busch, redatora do Green Amazon
  • Instagram GreenAmazon

© 2024 TheGreenAmazon

Política de Privacidade, ImpressumPolítica de Cookies

Desenvolvido por: creisconsultoria

Doar com PayPal
WhatsApp Image 2024-04-18 at 11.35.52.jpeg
IMG_7724.JPG
bottom of page