Poluição por plástico é uma ameaça à saúde "grave e crescente": Lancet. 04/08/2025
- Ana Cunha-Busch
- 3 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
Poluição por plástico é uma ameaça à saúde "grave e crescente": Lancet
A poluição por plástico é um "perigo grave, crescente e pouco reconhecido" para a saúde, que está custando ao mundo pelo menos US$ 1,5 trilhão por ano, alertaram especialistas em um relatório divulgado na segunda-feira.
A nova revisão das evidências existentes, realizada por importantes pesquisadores e médicos da área da saúde, foi publicada um dia antes da abertura de novas negociações em Genebra, com o objetivo de selar o primeiro tratado mundial sobre poluição por plástico.
"O plástico causa doenças e mortes desde a infância até a velhice e é responsável por perdas econômicas relacionadas à saúde que excedem US$ 1,5 trilhão anualmente", afirmou a revisão publicada na revista médica The Lancet.
Comparando o plástico à poluição do ar e ao chumbo, o relatório afirma que seu impacto na saúde pode ser mitigado por leis e políticas.
Os especialistas pediram que os delegados de quase 180 países reunidos em Genebra finalmente concordassem com um tratado após tentativas frustradas anteriores.
Philip Landrigan, médico e pesquisador do Boston College, nos Estados Unidos, alertou que pessoas vulneráveis, especialmente crianças, são as mais afetadas pela poluição plástica.
"Cabe a nós agir em resposta", disse ele em um comunicado.
"Aos que se reúnem em Genebra: por favor, aceitem o desafio e a oportunidade de encontrar um ponto em comum que permita uma cooperação internacional significativa e eficaz em resposta a esta crise global."
Os pesquisadores também alertaram sobre pequenos pedaços de plástico chamados microplásticos, que foram encontrados em toda a natureza — e em todos os corpos humanos.
O efeito total dos microplásticos na saúde ainda não é totalmente conhecido, mas pesquisadores alertaram sobre o potencial impacto desse plástico onipresente.
A quantidade de plástico produzida pelo mundo aumentou de dois milhões de toneladas em 1950 para 475 milhões de toneladas em 2022, segundo o relatório. A projeção é de que o número triplique até 2060.
No entanto, atualmente, menos de 10% de todo o plástico é reciclado, acrescentou.
Landrigan afirmou que a "crise" mundial do plástico está conectada à crise climática. O plástico é feito de combustíveis fósseis.
"Não há como subestimar a magnitude da crise climática e da crise do plástico", disse Landrigan.
"Ambas estão causando doenças, mortes e incapacidades hoje em dezenas de milhares de pessoas, e esses danos se tornarão mais graves nos próximos anos, à medida que o planeta continua a aquecer e a produção de plástico continua a aumentar", disse ele.
O relatório também anunciou um novo esforço para rastrear o impacto da poluição plástica na saúde, o mais recente de uma série chamada The Lancet Countdown.
dl/ach





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