Presidente de Madagascar dissolve governo após protestos mortais. 29/09/2025
- Ana Cunha-Busch
- 28 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
Presidente de Madagascar dissolve governo após protestos mortais.
ANTANARIVO - O presidente de Madagascar, Andry Rajoelina, disse na segunda-feira que estava dissolvendo o governo após protestos liderados por jovens contra cortes de água e energia, nos quais, segundo as Nações Unidas, pelo menos 22 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas.
Inspirados pelos chamados protestos da "Geração Z" no Quênia e no Nepal, os três dias de manifestações são os maiores que a ilha do Oceano Índico já viu em anos e o desafio mais sério que Rajoelina enfrenta desde sua reeleição em 2023.
"Reconhecemos e pedimos desculpas se os membros do governo não cumpriram as tarefas que lhes foram atribuídas", disse Rajoelina em discurso na emissora estatal Televiziona Malagasy (TVM).
O presidente afirmou que queria criar um espaço para o diálogo com os jovens e prometeu medidas para apoiar as empresas afetadas pelos saques.
"Entendo a raiva, a tristeza e as dificuldades causadas pelos cortes de energia e pelos problemas de abastecimento de água. Ouvi o chamado, senti o sofrimento, entendi o impacto na vida cotidiana", disse ele.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou que as vítimas incluem manifestantes e transeuntes mortos por membros das forças de segurança, mas também outros mortos em subsequentes episódios de violência generalizada e saques por indivíduos e gangues não associados aos manifestantes.
O Ministério das Relações Exteriores de Madagascar rejeitou os números de vítimas relatados pela ONU, afirmando que os dados não provêm de autoridades nacionais competentes "e se baseiam em rumores ou desinformação".
Na segunda-feira, manifestantes se reuniram em uma universidade, onde agitaram cartazes e cantaram o hino nacional antes de tentarem marchar em direção ao centro da cidade, segundo imagens do canal de notícias 2424.MG.
A polícia disparou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, depois que as autoridades declararam um toque de recolher do anoitecer ao amanhecer na semana passada.
Os manifestantes adaptaram uma bandeira usada no Nepal, onde forçaram a renúncia do primeiro-ministro neste mês, e também usaram táticas de organização online semelhantes às dos protestos no Quênia no ano passado, que culminaram com o governo rejeitando a proposta de legislação tributária.
Rajoelina chegou ao poder pela primeira vez em um golpe em 2009. Ele renunciou em 2014, mas tornou-se presidente novamente após vencer as eleições de 2018 e garantiu um terceiro mandato em uma eleição em dezembro de 2023, que seus adversários disseram ter sido marcada por irregularidades.
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