Proposta para trazer de volta pesticida na França gera petição sem precedentes. 20/07/2025
- Ana Cunha-Busch
- 19 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
Proposta para trazer de volta pesticida na França gera petição sem precedentes
Uma nova lei na França que permite a reintrodução de um pesticida proibido gerou uma resposta massiva para uma petição contrária, que no sábado havia reunido mais de 600.000 assinaturas.
A chamada "lei Duplomb" provocou a indignação pública por permitir o retorno do acetamiprido — um produto químico conhecido por ser tóxico para polinizadores como as abelhas e para os ecossistemas. Ela foi adotada em 8 de julho, mas ainda não entrou em vigor.
A legislação, que leva o nome do parlamentar conservador que a propôs, foi apresentada no parlamento como uma medida para "reduzir as restrições" aos agricultores franceses.
Mas a iniciativa de trazer de volta o acetamiprido levou uma estudante de mestrado de 23 anos a lançar uma petição contra ela, que rapidamente ganhou força, reunindo apoio de muitas pessoas, incluindo atores e vários parlamentares de esquerda.
O site oficial do parlamento francês mostrou que ele havia acumulado mais assinaturas do que qualquer outro. Às 20h30 (18h30 GMT) de sábado, o número havia ultrapassado 620.000.
A autora da petição, Eleonore Pattery, que se descreve como "uma futura profissional de saúde ambiental", chamou a nova lei de "aberração científica, ética, ambiental e de saúde pública".
"Representa um ataque frontal à saúde pública, à biodiversidade, à coerência das políticas climáticas, à segurança alimentar e ao bom senso", disse ela.
- Um "matador de abelhas" -
O acetamiprido está proibido na França desde 2018, mas continua legal na União Europeia.
O inseticida é particularmente procurado por produtores de beterraba e avelã, que afirmam não ter alternativa contra pragas e enfrentam concorrência desleal.
Por outro lado, os apicultores descreveram o produto químico como "matador de abelhas".
Seus efeitos em humanos também são motivo de preocupação, mas, na ausência de estudos em larga escala, seus riscos permanecem incertos.
A petição pede a "revogação imediata" da lei e uma "consulta cidadã envolvendo partes interessadas nas áreas de saúde, agricultura, meio ambiente e direito".
As petições, por si só, não desencadeiam uma revisão ou revogação da legislação, mas um apoio público sem precedentes pode levar a uma nova discussão parlamentar sobre o assunto.
Segundo as regras francesas, se uma petição atingir 500.000 assinaturas verificadas, a Assembleia Nacional pode optar por realizar um debate público limitado ao conteúdo da petição em si.
No final de junho, antes da aprovação da lei, milhares de manifestantes — incluindo agricultores, organizações ambientais e cientistas — se reuniram em toda a França pedindo a retirada do projeto de lei.
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