Químicos descobrem que E. coli pode transformar plástico em analgésicos 23/06/2025
- Ana Cunha-Busch
- 22 de jun. de 2025
- 2 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
Químicos descobrem que E. coli pode transformar plástico em analgésicos
Cientistas descobriram uma maneira de usar a bactéria E. coli para converter resíduos plásticos em um analgésico popular, revelou um estudo na segunda-feira, embora especialistas externos duvidassem que a técnica pudesse contribuir para o combate à poluição plástica.
O paracetamol, um dos medicamentos mais usados no mundo, é produzido a partir de derivados de combustíveis fósseis, muitas vezes por empresas terceirizadas na Ásia, utilizando métodos baratos e poluentes que contribuem para as mudanças climáticas.
O mundo também enfrenta uma crise crescente de poluição plástica, com os países se preparando para outra rodada de negociações em agosto, na esperança de firmar um tratado internacional para reduzir o desperdício de plástico.
A equipe britânica de pesquisadores por trás do novo estudo buscou encontrar uma solução para os dois problemas, incluindo um terceiro — a E. coli, que normalmente é conhecida por deixar as pessoas doentes ao consumir alimentos contaminados.
Primeiramente, os químicos usaram uma molécula derivada do plástico PET, usado em garrafas e muitos outros produtos plásticos em todo o mundo, para desencadear uma reação química em uma cepa de E. coli.
Isso criou uma molécula que eles chamaram de PABA, de acordo com o estudo da Nature Chemistry, que foi parcialmente financiado pela empresa farmacêutica AstraZeneca.
Ao modificar geneticamente a bactéria, os químicos conseguiram transformar sua molécula em acetaminofeno, também conhecido como paracetamol.
"Este trabalho demonstra que o plástico PET não é apenas resíduo ou um material destinado a se tornar mais plástico — ele pode ser transformado por microrganismos em novos produtos valiosos, incluindo aqueles com potencial para tratar doenças", disse o líder do estudo, Stephen Wallace, em um comunicado.
Pesquisadores de Singapura não envolvidos no estudo elogiaram a combinação de química sintética e biológica.
Mas "várias considerações práticas permanecem" para levar essa ideia além da fase de prova de conceito, escreveram eles em um comentário publicado na revista Nature Chemistry.
A reação química produz apenas uma quantidade limitada de moléculas de PABA, que "podem ser insuficientes para aplicações industriais", escreveram.
Melissa Valliant, diretora de comunicação do projeto Beyond Plastics do Bennington College, nos Estados Unidos, expressou ceticismo.
"Uma nova 'bactéria devoradora de plástico' aparece nas notícias a cada poucos meses e vem fazendo isso há anos", disse ela à AFP.
"Essas descobertas nunca se tornam significativas o suficiente para enfrentar o enorme problema da poluição plástica."
Esta "crise precisa ser interrompida na fonte", acrescentou, o que significa que "empresas e formuladores de políticas devem reduzir a quantidade de plástico produzido e usado em primeiro lugar".
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