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Rebanhos de bisões 'reavivam' as pradarias de Yellowstone. 30/08/2025

  • Foto do escritor: Ana Cunha-Busch
    Ana Cunha-Busch
  • 29 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura
Um bisão-americano, também chamado de búfalo, pasta no Parque Nacional de Yellowstone, 9 de julho de 2020 (Eric BARADAT)  Eric BARADAT/AFP/AFP
Um bisão-americano, também chamado de búfalo, pasta no Parque Nacional de Yellowstone, 9 de julho de 2020 (Eric BARADAT). Eric BARADAT/AFP/AFP

Por AFP - Agence France Presse


Rebanhos de bisões 'reavivam' as pradarias de Yellowstone.

Issam AHMED


Existem poucos símbolos do oeste americano mais icônicos do que os bisões — gigantes peludos que já vagaram em dezenas de milhões antes de serem quase aniquilados pelos colonizadores europeus.


Um novo estudo publicado na quinta-feira na Science conclui que trazer os maiores mamíferos terrestres da América do Norte de volta aos seus antigos territórios está dando nova vida aos ecossistemas de pastagens, com benefícios que se espalham por toda a cadeia alimentar.


Os cientistas sabem há muito tempo que os bisões atuam como "espécies-chave", moldando as paisagens das pradarias por meio do pastoreio, da alimentação e da dispersão de sementes. Pesquisas anteriores até sugeriram que seus vastos rebanhos ajudam a reter carbono no solo.


Mas as descobertas mais recentes, no Parque Nacional de Yellowstone, revelam o quão drástica sua influência pode ser para a saúde do ecossistema quando eles podem vagar livremente pela natureza.


Ao mastigar gramíneas, os bisões aceleram o ciclo do nitrogênio, sobrecarregando as plantas com nutrientes.


O resultado: forragem mais de 150% mais rica em proteínas — um presente para todas as criaturas que se alimentam da pradaria, de alces e veados a antilocapras e carneiros selvagens.


"É realmente um despertar do que havia lá no passado", disse Bill Hamilton, coautor principal do artigo e professor da Universidade Washington e Lee.


- Laboratório natural -


Os rebanhos de bisões já foram tão vastos no oeste dos Estados Unidos que seus cascos ressoavam como trovões distantes. Estimativas do início do século XIX estimavam seus números entre 30 e 60 milhões.


Então vieram as ferrovias. A construção da primeira linha transcontinental foi acompanhada por uma implacável campanha de extermínio — caçadores atirando de trens, carcaças deixadas para apodrecer — visando não apenas o fornecimento de peles, mas também a morte de nativos americanos famintos, para os quais os bisões eram uma tábua de salvação cultural e econômica.


No início do século XX, a espécie estava à beira da extinção. Os esforços para reativar a espécie acabaram levando seus números de volta para cerca de 400.000, mas quase todos sobrevivem em pequenos rebanhos rigorosamente gerenciados em fazendas ou reservas particulares.


Somente no Parque Nacional de Yellowstone, lar de cerca de 5.000 animais, os bisões ainda vagam com algo semelhante à sua antiga liberdade, percorrendo quase 1.600 quilômetros por ano em uma migração de ida e volta de 80 quilômetros. Para os cientistas, isso torna o parque um raro laboratório vivo.


Entre 2015 e 2021, um estudo liderado pelo biólogo do Serviço Nacional de Parques, Chris Geremia, monitorou os movimentos e padrões de pastejo dos animais em seus principais habitats, medindo o crescimento das plantas, a ciclagem de nutrientes, a química do solo e muito mais.


- Equilíbrio restaurado -


Eles compararam áreas com e sem pastejo, combinando experimentos de campo com imagens de satélite e dados de colares de GPS para capturar os impactos dos bisões em toda a sua área de distribuição migratória.


Os resultados mostram que os bisões em trânsito mantêm as gramíneas e flores silvestres curtas, densas e ricas em proteínas — e as comunidades vegetais surpreendentemente diversas.


"As gramíneas expelem carbono para o solo após serem pastadas, e isso, na verdade, estimula as populações microbianas por até 48 horas", explicou Hamilton.


Essa explosão microbiana se traduziu em mais amônio e nitratos para o novo crescimento — um ciclo de retroalimentação que impulsionou plantas e animais. O esterco e a urina dos bisões adicionaram outra injeção de nitrogênio, agravando o efeito da fertilização.


"Pegamos esse aumento de 150% e o calculamos para toda a área de migração, e ele fornece mais de três milhões de quilos a mais de proteína bruta para bisões", disse o coautor Jerod Merkle, da Universidade de Wyoming.


Mesmo as áreas que pareciam "totalmente devastadas" pelos bisões permaneceram ecologicamente vibrantes, com produtividade e diversidade intactas.


As descobertas chegam em um momento delicado para a conservação, com o governo do presidente Donald Trump se inclinando fortemente para interesses agrícolas em detrimento da vida selvagem.


Fazendeiros argumentam que bisões, se permitidos a vagar, quebrariam cercas, se misturariam com o gado e espalhariam doenças.


Merkle disse que existem restrições sociais e políticas, mas o retorno ecológico é inegável.


"Minha visão, quando vejo os dados do nosso artigo, é: vamos abandonar o pensamento clássico sobre a pecuária com bisões e pensar neles como uma espécie que cria heterogeneidade, que precisa de muito espaço para se movimentar — e não há problema em ter grandes grupos deles às vezes", disse ele.


ia/bgs

 
 
 

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