Tarefa gigantesca: 400 comprimidos por dia para elefantes com tuberculose no Paquistão 25/05/2025
- Ana Cunha-Busch
- 24 de mai. de 2025
- 2 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
Tarefa gigantesca: 400 comprimidos por dia para elefantes com tuberculose no Paquistão
Por Sameer MANDHRO
Uma equipe de médicos e veterinários no Paquistão desenvolveu um tratamento inovador para dois elefantes que sofrem de tuberculose, que envolve alimentá-los com pelo menos 400 comprimidos por dia.
O esforço gigantesco da equipe do Karachi Safari Park envolve administrar os comprimidos — os mesmos usados para tratar a tuberculose em humanos — escondidos dentro de alimentos que variam de maçãs e bananas a doces paquistaneses.
A quantidade de medicamento é ajustada de acordo com o peso dos elefantes, que pesam 4.000 kg.
No entanto, Madhubala e Malika levaram várias semanas para se acostumar com o tratamento, após cuspir as primeiras doses do medicamento amargo e atacar seus tratadores.
“Tratar elefantes com tuberculose é sempre um desafio. Todos os dias usamos métodos diferentes”, disse Buddhika Bandara, um cirurgião veterinário do Sri Lanka que voou para supervisionar o tratamento.
“Os animais mostraram algum estresse no início, mas gradualmente se adaptaram ao procedimento”, disse Bandara, que já ajudou mais de uma dúzia de elefantes a se recuperarem da doença no Sri Lanka.
O mahout Ali Baloch acorda cedo todos os dias para cozinhar arroz e lentilhas, misturados com bastante melaço de cana-de-açúcar, e enrola a mistura em dezenas de bolinhas perfuradas com os comprimidos.
“Eu sei que os comprimidos são amargos”, disse o jovem de 22 anos, observando os elefantes se refrescarem sob uma mangueira.
- De humanos a elefantes
Quatro elefantes africanos — capturados ainda muito jovens na selva da Tanzânia — chegaram a Karachi em 2009.
Noor Jehan morreu em 2023, aos 17 anos, e outra, Sonia, seguiu-a no final de 2024. A autópsia revelou que ela havia contraído tuberculose, doença endêmica no Paquistão.
Testes realizados em Madhubala e Malika também deram positivo, e o conselho municipal, proprietário do parque safári, montou uma equipe para cuidar dos paquidermes.
Bandara disse que não é incomum que elefantes contraiam a doença contagiosa de humanos, mas que Sonia — e agora Madhubala e Malika — não apresentavam sintomas.
“Fiquei surpreso ao saber que os elefantes têm tuberculose”, disse Naseem Salahuddin, chefe do Departamento de Doenças Infecciosas do Indus Hospital and Health Network, que foi contratado para monitorar a equipe.
“Este é um caso interessante para mim e meus alunos — todos querem saber sobre o procedimento e seu andamento”, disse ela à AFP.
A equipe de quatro mahouts usa máscaras faciais e aventais ao alimentar os elefantes para evitar contrair uma doença que infecta mais de 500.000 seres humanos por ano.
O Karachi Safari Park é há muito criticado pelo mau tratamento de animais em cativeiro — incluindo um elefante evacuado após uma campanha da cantora americana Cher —, mas espera que seus dois últimos elefantes superem a doença com um plano de tratamento de um ano.
sam/ecl/pbt/fox





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