Terreno Oculto Sob o Gelo da Antártica Ganha Mais Clareza 16/01/2026
- Ana Cunha-Busch
- 15 de jan.
- 3 min de leitura

Terreno Oculto Sob o Gelo da Antártica Ganha Mais Clareza
Um estudo científico recém-publicado revelou a imagem mais detalhada até agora da paisagem escondida sob a vasta camada de gelo da Antártica, oferecendo novas perspectivas sobre como o continente congelado pode responder ao aquecimento climático.
Usando observações de satélite combinadas com modelos avançados da física do fluxo de gelo, pesquisadores reconstruíram a forma do leito rochoso que se encontra sob vários quilômetros de gelo. O resultado é um mapa que expõe milhares de colinas, cristas, vales e canais profundos até então desconhecidos — características que eram praticamente invisíveis em levantamentos anteriores.
Até agora, os cientistas dependiam principalmente de medições de radar aéreas ou terrestres para observar através do gelo. Embora eficazes, esses levantamentos seguiam faixas estreitas que podiam estar separadas por dezenas de quilômetros, deixando grandes lacunas no conhecimento. Em contraste, a nova abordagem infere a forma do terreno analisando mudanças sutis na superfície do gelo e seu movimento, que são influenciados pela rocha subjacente.
“Assim como as correntes na superfície de um rio podem revelar rochas submersas, a forma como o gelo flui pela Antártica carrega informações sobre a paisagem abaixo dela”, explicou a autora principal, Dra. Helen Ockenden, da Universidade de Grenoble Alpes.
Um continente muito mais acidentado do que se imaginava
O mapa atualizado sugere que o terreno oculto da Antártica é muito mais complexo do que se supunha anteriormente. Os pesquisadores identificaram dezenas de milhares de pequenas colinas e cristas, além de detalhes mais precisos de grandes cadeias de montanhas já conhecidas por existirem sob o gelo.
Uma característica impressionante é um longo canal profundamente escavado na Bacia Subglacial Maud, na Antártica Oriental. O canal se estende por quase 400 quilômetros, tem vários quilômetros de largura e atinge profundidades de cerca de 50 metros — evidência de poderosos processos geológicos ou glaciais no passado da Antártica.
De acordo com o coautor, Professor Robert Bingham, da Universidade de Edimburgo, visualizar todo o leito glacial da Antártica de uma só vez é um importante marco científico. “Transforma nossa compreensão do continente da mesma forma que as imagens digitais de alta resolução substituíram as fotografias granuladas”, disse ele.
Por que a paisagem oculta é importante
Além do seu interesse geológico, o terreno recém-revelado desempenha um papel crucial no futuro da Antártica — e na elevação global do nível do mar. O formato do leito rochoso sob o gelo influencia fortemente a forma como as geleiras se movem, a velocidade com que podem fluir em direção ao oceano e a sua vulnerabilidade ao derretimento.
Características acidentadas, como cristas e montanhas, podem atuar como freios naturais, diminuindo a velocidade do fluxo de gelo, enquanto vales e canais profundos podem acelerá-lo. Ao incorporar essa topografia refinada em modelos climáticos e de calotas polares, os cientistas esperam melhorar as previsões de como a Antártica responderá ao aumento das temperaturas nas próximas décadas.
Embora ainda existam incertezas, os pesquisadores afirmam que o novo mapa representa um avanço significativo. À medida que mais dados de satélite e medições de campo se tornarem disponíveis, espera-se que a imagem do mundo oculto da Antártica se torne ainda mais clara — com implicações importantes para a compreensão das mudanças climáticas da Terra.
The Green Amazon News
Fontes:
Ockenden, H. et al. (2026), Science.
Reportagem adicional: BBC News; Reuters.





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