TotalEnergies da França será julgada em junho em caso de “greenwashing” 26/05/2025
- Ana Cunha-Busch
- 25 de mai. de 2025
- 2 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
TotalEnergies da França será julgada em junho em caso de “greenwashing”
A TotalEnergies será julgada em junho por um tribunal civil de Paris por alegações de propaganda enganosa sobre seus compromissos climáticos — um caso sem precedentes na França contra uma grande empresa de combustíveis fósseis, afirmaram ativistas na sexta-feira.
O caso tem origem em uma ação judicial movida em março de 2022 por três grupos ambientalistas que acusam a gigante francesa de energia de “práticas comerciais enganosas” por afirmar que poderia atingir a neutralidade de carbono enquanto continuava a produção de petróleo e gás.
A empresa “não deve ser autorizada a promover essas alegações junto aos consumidores, que são contrárias à realidade”, afirmaram na sexta-feira o Greenpeace França, os Amigos da Terra França e Notre Affaire a Tous.
“Sua estratégia de expandir a produção de combustíveis fósseis está claramente em desacordo com a necessidade científica de reduzir rápida e significativamente as emissões de gases de efeito estufa e o uso de combustíveis fósseis”, acrescentaram os grupos.
As organizações ambientais exigiram que o tribunal ordenasse “a cessação imediata... das práticas comerciais enganosas”, disse a diretora jurídica do Greenpeace, Apolline Cagnat, uma decisão que poderia ter implicações importantes para os compromissos climáticos das empresas.
A TotalEnergies rejeitou as acusações, afirmando que “seu papel na transição energética é confiável e baseado em dados objetivos e verificáveis”.
Sem padrões claros, as empresas têm promovido suas políticas ambientais usando termos vagos como “verde” ou ‘sustentável’, em uma prática que os ativistas chamam de “greenwashing”.
Nos últimos anos, grupos ambientalistas têm recorrido aos tribunais para estabelecer jurisprudência sobre empresas que enganam os consumidores ao se apresentarem como mais ecológicas do que realmente são.
Na Europa, os tribunais decidiram contra a companhia aérea holandesa KLM em 2024 e contra a alemã Lufthansa em março por enganar os consumidores sobre seus esforços para reduzir o impacto ambiental dos voos.
A partir de maio de 2021, a TotalEnergies anunciou sua meta de “neutralidade de carbono até 2050” e promoveu o gás como “o combustível fóssil com as menores emissões de gases de efeito estufa”.
A empresa, que realizava sua assembleia anual de acionistas em Paris na sexta-feira, afirmou que o petróleo e o gás são necessários para atender à demanda global de energia, mas insiste que está “se tornando a grande empresa mais comprometida com a transição energética”.
A polícia de Paris repeliu ativistas ambientais do Extinction Rebellion na manhã de sexta-feira, depois que eles tentaram entrar na sede do BNP Paribas, acusando o banco de financiar combustíveis fósseis por meio de seus laços com a TotalEnergies.
O processo contra a quarta maior empresa de petróleo e gás do mundo é sem precedentes na França, de acordo com o Greenpeace.
O tribunal decidirá “se é legal anunciar o gás como essencial para a transição energética, apesar das preocupações com seu impacto climático”, afirmou o grupo.
Um processo por greenwashing contra a produtora australiana de petróleo e gás Santos, contestando sua alegação de ser uma empresa de “combustíveis limpos”, está em andamento desde 2021.
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