Táticas de desinformação geradas por IA detectadas antes da COP30. 06/11/2025
- Ana Cunha-Busch
- 5 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
Táticas de desinformação geradas por IA detectadas antes da COP30
WASHINGTON, D.C. — Um vídeo que supostamente mostra uma grande inundação na cidade amazônica que sediará a cúpula climática da ONU é apenas um exemplo amplamente compartilhado de como a desinformação, criada a baixo custo por inteligência artificial e circulando nas redes sociais, está influenciando a percepção da COP30.
Um novo relatório divulgado na quarta-feira pela Coalizão Contra a Desinformação Climática (CAAD) constata que, apesar do crescente apoio a políticas para combater as mudanças climáticas, a persistência de informações falsas online, potencializadas pela IA, contribui para manter uma corrente subterrânea de hostilidade em relação à ciência.
A CAAD e o Observatório para a Integridade da Informação (Oii) destacaram um aumento de 267%, ou mais de 14.000 exemplos, de desinformação relacionada à COP entre julho e setembro.
Diversos vídeos insinuavam que Belém não seria adequada para sediar a importante conferência, mas um deles foi filmado em Tbilisi, na Geórgia, enquanto outro reutilizava imagens de dois anos atrás.
E no vídeo que mostrava a cidade supostamente submersa, a Oii afirmou: "O repórter não existe, as pessoas não existem, a enchente não existe e a cidade não existe."
O TikTok não removeu o vídeo – que não revela o uso de IA – apesar de pesquisadores da Oii terem alertado a plataforma sobre o ocorrido.
Isso reflete uma tendência maior de conteúdo climático contaminado por IA disseminado ao longo de 2025.
No início deste ano, a AFP investigou um documento que supostamente teria sido escrito pela IA Grok 3 de Elon Musk. O documento descartava indevidamente a credibilidade dos modelos climáticos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Pesquisas recentes mostram que mais de 80% das pessoas desejam ações climáticas mais eficazes e 69% afirmam que contribuiriam com 1% de sua renda mensal para apoiá-las.
No entanto, tanto os participantes da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente quanto o público em geral subestimam enormemente essa disposição para se mobilizar.
"Este é o impacto da desinformação climática", afirmou a CAAD.
"Os gastos das grandes empresas de carbono e os algoritmos das grandes empresas de tecnologia estão nos impedindo de nos vermos e ouvirmos uns aos outros online. Em vez disso, somos expostos a uma mentira atrás da outra."
As narrativas falsas também podem levar à intimidação de cientistas e ativistas, observou o professor Carlos Milani, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
"A negação das mudanças climáticas no Brasil é impulsionada mais explicitamente por figuras da extrema direita, um pequeno grupo de ativistas antiambientalistas e líderes ultraconservadores", disse ele.
As Nações Unidas e os governos estão começando a responder à forma como a desinformação se espalha, dizem os pesquisadores.
A Lei de Serviços Digitais da União Europeia, por exemplo, visa aumentar a transparência e a responsabilidade entre plataformas e anunciantes.
Com a integridade da informação pela primeira vez incluída na agenda da ONU, "finalmente estamos caminhando na direção certa", afirmou a CAAD.
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