UE enfrenta momento decisivo sobre acordo comercial com o Mercosul, há muito adiado. 09/01/2026
- Ana Cunha-Busch
- 8 de jan.
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Atualizado: 9 de jan.

ANÁLISE | CLIMA E MEIO AMBIENTE | Mercosul-Europa
UE enfrenta momento decisivo sobre acordo comercial com o Mercosul, há muito adiado
Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia se aproxima de uma decisão crucial sobre a aprovação de um acordo histórico de livre comércio com o bloco Mercosul, que inclui Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Representantes dos Estados-membros da UE estão realizando discussões de alto nível em Bruxelas, onde a votação sobre o acordo pode ocorrer em breve. Se aprovado, o acordo abrirá caminho para uma cerimônia formal de assinatura na América do Sul, possivelmente já na próxima semana.
O acordo proposto criaria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, conectando mercados que juntos representam mais de 700 milhões de pessoas. Os defensores argumentam que ele reduziria significativamente as tarifas sobre a maioria dos produtos comercializados entre as duas regiões, oferecendo novas oportunidades para exportadores europeus em setores como o automotivo, máquinas, vinhos e bebidas destiladas.
Os apoiadores do acordo, incluindo Alemanha e Espanha, o veem como uma medida estratégica para fortalecer os laços econômicos com a América Latina em um momento de crescentes tensões comerciais globais. Grupos empresariais também acolheram bem a proposta, estimando que as empresas europeias poderiam economizar bilhões de euros anualmente em taxas alfandegárias.
No entanto, o acordo permanece profundamente controverso dentro da UE. A França emergiu como uma das maiores opositoras, com o presidente Emmanuel Macron afirmando que o tratado não protege adequadamente os agricultores europeus. As preocupações se concentram na potencial entrada de produtos agrícolas mais baratos dos países do Mercosul, que os críticos temem que possa prejudicar os produtores nacionais e enfraquecer os padrões ambientais e de segurança alimentar.
Protestos de agricultores ocorreram em vários países da UE nos últimos meses, evidenciando uma preocupação mais ampla com a liberalização do comércio e os meios de subsistência rurais. Polônia e Irlanda também expressaram reservas, aumentando a incerteza em torno do resultado.
Em resposta à crescente oposição, os negociadores da UE propuseram uma série de salvaguardas. Estas incluem um fundo de apoio multibilionário para agricultores e mecanismos que permitiriam à UE restringir temporariamente as importações caso os mercados se desestabilizem. O acordo também busca proteger centenas de indicações geográficas europeias, garantindo que nomes icônicos de produtos não sejam usados indevidamente no exterior.
Para que o acordo avance, ele precisa obter o apoio de uma maioria qualificada dos Estados-membros da UE, representando pelo menos 65% da população do bloco. A Itália é amplamente vista como um ator fundamental, já que sua posição pode determinar se esse limite será atingido.
A não aprovação do acordo pode ter consequências duradouras. Autoridades do Mercosul, particularmente no Brasil, insinuaram que atrasos prolongados ou a rejeição por parte da UE podem levá-las a abandonar o acordo por completo, pondo fim a uma das negociações comerciais mais longas da história moderna.
Este texto foi compilado utilizando dados públicos, relatórios científicos e informações de instituições meteorológicas.
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