UE fecha acordo de última hora sobre metas climáticas às vésperas da COP30. 06/11/2025
- Ana Cunha-Busch
- 5 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
UE fecha acordo de última hora sobre metas climáticas às vésperas da COP30
Por Adrien DE CALAN
A União Europeia fechou um acordo nesta quarta-feira sobre as próximas grandes metas de redução de emissões do bloco de 27 nações, a tempo da cúpula climática COP30 da ONU na próxima semana, ao custo de grandes concessões a capitais relutantes.
Após meses de negociações e maratonas de conversas noturnas, o bloco evitou o pior cenário possível: chegar de mãos vazias ao encontro no Brasil, onde espera afirmar sua liderança na luta contra o aquecimento global.
Os países da UE concordaram em reduzir em 90% as emissões de gases de efeito estufa até 2040, em comparação com os níveis de 1990 — um marco fundamental para alcançar a neutralidade de carbono até meados do século.
Eles também concordaram com uma meta relacionada para 2035, que será apresentada na cúpula da ONU — a qual a presidente da UE, Ursula von der Leyen, anunciou como "boa notícia" ao chegar à cidade de Belém, no norte do Brasil, para uma cúpula de líderes antes das negociações que começam na segunda-feira.
A obtenção do acordo, fruto de muitas negociações, exigiu uma série de concessões duramente criticadas por ambientalistas — com a permissão para que créditos de carbono internacionais sejam contabilizados em 5% da meta de 2040 e a possibilidade de os países reivindicarem mais 5% em revisões futuras.
O Greenpeace afirmou que o acordo final "fica muito aquém" do que é necessário para o bloco de 450 milhões de habitantes — e se baseia no que equivale a "lavagem de carbono em paraísos fiscais".
"É como prometer correr uma maratona treinando apenas 10 quilômetros, pegando o ônibus para o último quilômetro e reservando-se o direito de simplesmente ficar em casa se chover", disse o ativista do Greenpeace, Thomas Gelin.
Ainda assim, o chefe do clima da ONU, Simon Stiell, considerou o acordo "um passo à frente para a Europa", expressando a esperança de que o continente "mostre ambição e liderança no cenário internacional" em Belém.
Atrás apenas da China, dos Estados Unidos e da Índia em termos de emissões, a UE tem sido a mais comprometida entre os principais poluidores com a ação climática e já reduziu as emissões em 37% em comparação com os níveis de 1990.
Mas depois de abrir caminho, o cenário político da UE deslocou-se para a direita, e as preocupações climáticas passaram a um segundo plano em relação à defesa e à competitividade — com receios em algumas capitais de que a ecologização da economia europeia esteja prejudicando o crescimento.
A UE precisava do apoio de uma maioria ponderada dos países para atingir a meta climática de 2040 estabelecida pela Comissão Europeia, o que implica mudanças drásticas na indústria e na vida cotidiana.
Os ministros também precisavam de um acordo unânime sobre a meta de emissões da UE para 2035, conhecida como Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), que os signatários do Acordo de Paris devem apresentar na COP30.
Esse objetivo, fixado entre 66,25% e 72,5%, foi definido da noite para o dia.
Para conquistar os céticos mais ferrenhos, as negociações em Bruxelas levaram a uma extensão das "flexibilidades" para os Estados-membros, incluindo o controverso mecanismo que permite aos países considerar os créditos de carbono adquiridos para financiar projetos fora da Europa.
Países como a Polônia e a Hungria também garantiram apoio para um adiamento de um ano, de 2027 para 2028, do lançamento de um novo mercado de carbono da UE para os setores de transporte rodoviário e aquecimento industrial — o que, segundo críticos, aumentará os preços dos combustíveis.
E, em mais uma grande concessão, os países da UE concordaram que a meta geral para 2040 seja reavaliada periodicamente.
"É um acordo pragmático, ambicioso, que proporciona rapidez e flexibilidade", disse o chefe do clima da UE, Wopke Hoekstra, em uma coletiva de imprensa.
A ministra do Meio Ambiente da França, Monique Barbut, disse que a França estava "extremamente satisfeita", embora tenha admitido que o processo de negociação foi "um pouco doloroso", enfrentando forte resistência, principalmente da Itália.
O ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, disse que o acordo significa que "a Europa pode desempenhar um papel de liderança na Conferência Mundial do Clima".
Grupos ambientalistas acusaram os países de minarem as ambições climáticas do bloco ao pressionarem por brechas.
Sven Harmeling, da Rede de Ação Climática da Europa, disse que o acordo era "muito mais fraco do que os 90% sugerem".
Mas Linda Kalcher, do think tank Strategic Perspectives, considerou o resultado "um grande sucesso, mesmo que deixe um gosto amargo".
"Isto demonstra que a UE está a manter o seu rumo na descarbonização", afirmou.
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