UE reprime desperdício de alimentos e fast fashion. 09/09/2025
- Ana Cunha-Busch
- 8 de set. de 2025
- 3 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
UE reprime desperdício de alimentos e fast fashion
Adrien DE CALAN
Os legisladores da UE deram sinal verde final na terça-feira para uma lei que visa reduzir as montanhas de alimentos desperdiçados na Europa a cada ano e reduzir o impacto ambiental do chamado fast fashion.
Bruxelas estima que o bloco de 27 países gere cerca de 130 quilos de desperdício de alimentos por pessoa a cada ano — totalizando 60 milhões de toneladas —, além de cerca de 15 quilos de resíduos têxteis.
Ao reduzir o desperdício de alimentos, a UE visa, por extensão, reduzir a quantidade de água, fertilizantes e energia usados para produzir, transformar e armazenar alimentos que acabam sendo descartados.
A mesma lógica se aplica aos têxteis, onde a UE afirma que a fabricação de uma única camiseta de algodão requer 2.700 litros de água doce — a quantidade que uma pessoa média bebe em dois anos e meio.
Os legisladores aprovaram sem emendas o texto previamente negociado com os estados-membros do bloco.
No que diz respeito aos alimentos, os países receberão metas vinculativas de redução de resíduos, mas serão livres para escolher como alcançá-las.
Até 2030, eles terão que reduzir em 30% o desperdício de alimentos gerado por residências, varejistas e restaurantes, em comparação com os níveis de 2021-2023.
Eles também terão que cortar em 10% o desperdício gerado pelo processamento e fabricação de alimentos.
A relatora do Parlamento, Anna Zalewska, afirmou que "soluções direcionadas" poderiam incluir a promoção das chamadas frutas e vegetais "feios", o esclarecimento da data de rotulagem e a doação de alimentos não vendidos, mas consumíveis.
No ano passado, os legisladores apoiaram cortes mais ambiciosos — 40% e 20%, respectivamente — antes de um acordo final ser alcançado com a Comissão Europeia e os 27 estados-membros da UE.
A proposta final ainda enfrentou resistência dos setores de restaurantes e hotelaria, que se opuseram a metas vinculativas e, em vez disso, defenderam um esforço para educar o público sobre o desperdício.
"A chave é conscientizar — especialmente entre os consumidores", disse Marine Thizon, do grupo europeu Hotrec, da indústria hoteleira, de restaurantes e cafés.
"Mais de 50% do desperdício de alimentos na Europa ocorre nas residências", afirmou.
- Setor agrícola isento -
A nova lei atualiza uma diretiva da UE de 2008 sobre resíduos e amplia seu escopo para incluir a indústria têxtil.
Ela cria novas obrigações para o setor, com os produtores sendo obrigados a arcar com a conta da coleta, triagem e reciclagem de roupas, bem como de tudo, de carpetes a colchões.
Menos de 1% dos têxteis em todo o mundo são reciclados atualmente, segundo a UE, com 12,6 milhões de toneladas de resíduos têxteis gerados no bloco a cada ano.
Os legisladores esperam que a lei possa neutralizar o impacto das importações de moda de baixíssimo custo, muitas delas da China, por plataformas como a Shein — que também está sendo investigada por Bruxelas devido aos riscos associados a produtos ilegais.
"A ultra fast fashion cria montanhas de resíduos têxteis", disse o parlamentar francês de direita Laurent Castillo após a aprovação da lei, afirmando que o fenômeno "coloca em risco empresas francesas e europeias, além de ser extremamente poluente".
A UE também se mobilizou para limitar o fluxo maciço de pequenas encomendas impulsionado pelo boom da fast fashion, propondo uma taxa fixa de importação de dois euros (US$ 2,35) por encomenda.
No ano passado, 4,6 bilhões de pequenas encomendas entraram no bloco — mais de 145 por segundo — das quais 91% vieram da China.
Nenhuma meta de redução de desperdício foi estabelecida para o setor agrícola, para desgosto de defensores do meio ambiente como o WWF, que se declarou "preocupado" com a decisão.
"As perdas que ocorrem antes, durante e depois da colheita ou da criação de gado representam uma quantidade considerável de desperdício de alimentos em toda a cadeia de valor", afirmou o grupo.
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