União Europeia proíbe destruição de roupas não vendidas e mira modelo da fast fashion. 10/02/2026
- Ana Cunha-Busch
- há 23 horas
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União Europeia proíbe destruição de roupas não vendidas e mira modelo da fast fashion
Por Redação TGAN – Meio Ambiente & Economia
A União Europeia deu um passo importante na política ambiental aplicada ao consumo: a partir de 2026, grandes empresas de moda não poderão mais destruir roupas, calçados e acessórios novos que ficaram sem comprador. A medida faz parte da implementação do Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR), um dos pilares do Pacto Ecológico Europeu.
A decisão foi adotada oficialmente pela Comissão Europeia em 9 de fevereiro de 2026 e pretende reduzir desperdícios e pressionar a indústria têxtil — uma das mais poluentes do mundo — a mudar o seu modelo de produção.
O que muda na prática
Pelas novas regras:
Fica proibida a destruição de roupas, calçados e acessórios não vendidos, exceto em casos específicos, como danos, riscos à segurança ou violação de propriedade intelectual.
Grandes empresas terão de cumprir a proibição a partir de 19 de julho de 2026.
Empresas médias deverão cumprir em 2030.
As empresas serão obrigadas a informar oficialmente quantos produtos descartam e por quê, seguindo um formato padronizado europeu.
O objetivo é impedir uma prática silenciosa, mas comum no setor: destruir estoques novos para evitar descontos e preservar a imagem de exclusividade das marcas.
O tamanho do problema
Segundo dados da própria Comissão Europeia, entre 4% e 9% dos têxteis não vendidos na Europa são destruídos antes mesmo de serem usados.
Esse desperdício gera cerca de 5,6 milhões de toneladas de CO₂ por ano, volume próximo das emissões líquidas totais da Suécia em 2021.
Além disso, o consumo de roupas na Europa também tem impacto climático significativo: produtos têxteis geram centenas de quilos de emissões por pessoa anualmente e a maioria das peças descartadas acaba incinerada ou em aterros.
Mais do que lixo: mudança de modelo econômico
Autoridades europeias afirmam que a intenção não é apenas impedir a queima de roupas, mas mudar a lógica produtiva da moda.
O regulamento exige maior circularidade: produtos mais duráveis, reparáveis e recicláveis.
Na prática, isso deve pressionar empresas a:
Prever melhor a demanda (produzir menos excedente),
Melhorar a gestão de devoluções,
Ampliar revenda e reaproveitamento,
Investir em design durável.
Especialistas apontam que a legislação atinge diretamente o modelo da fast fashion, baseado em grandes volumes, baixo preço e coleções de curta duração.
O próximo passo: rastrear a origem da roupa
A União Europeia também trabalha no chamado Passaporte Digital do Produto, um sistema que deverá reunir dados sobre materiais, origem, impacto ambiental e cadeia produtiva dos itens comercializados no bloco.
A meta é ampliar a responsabilidade ambiental para além do ponto de venda europeu — alcançando países onde a produção ocorre, como Turquia, Vietname, Índia ou Marrocos, principais fornecedores do mercado europeu.
O desafio será a fiscalização
Apesar da ambição, o impacto dependerá da aplicação prática. O controle caberá às autoridades nacionais de cada país-membro, responsáveis por monitorar relatórios e aplicar sanções.
Para ambientalistas, a regra pode se tornar um marco global se for bem executada: a União Europeia é o maior mercado importador de vestuário do mundo, e regulações europeias frequentemente acabam definindo padrões industriais internacionais.
O que isso significa para consumidores
No médio prazo, especialistas esperam mudanças perceptíveis:
Menos liquidações massivas,
Roupas mais duráveis,
Expansão do mercado de segunda mão,
Possível aumento de preços em peças descartáveis.
A lógica é simples: se destruir estoque deixa de ser permitido, produzir em excesso deixa de ser um bom negócio.
Conclusão
A nova legislação não elimina a fast fashion imediatamente, mas altera um incentivo central do sistema: produzir demais e descartar o excedente.
Se combinada com rastreabilidade e fiscalização eficaz, a regra pode transformar não apenas o descarte de roupas na Europa — mas também a forma como elas são produzidas em todo o mundo.
The Green Amazon News – International
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