Yoko, o chimpanzé solitário da Colômbia, encontra um novo lar no Brasil 25/03/2025
- Ana Cunha-Busch
- 24 de mar. de 2025
- 3 min de leitura

Por AFP - Agence France Presse
Yoko, o chimpanzé solitário da Colômbia, encontra um novo lar no Brasil
David SALAZAR
Sequestrado de sua família quando bebê e depois criado por um traficante antes de acabar em um zoológico colombiano, o chimpanzé Yoko viveu os últimos dois anos de sua vida sozinho.
Ele perdeu sua última amiga, Chita, em 2023, quando ela fugiu do zoológico com Pancho - o rival de Yoko - e a dupla foi morta a tiros por soldados por questões de segurança humana.
No domingo, Yoko, de 38 anos, foi levado de avião para o Brasil para finalmente se juntar a outros de sua espécie em um santuário no país.
Mas será que ele fará amigos?
Yoko é, em muitos aspectos, mais humano do que um chimpanzé, dizem seus cuidadores. Ele usa faca e garfo, joga bola, assiste à televisão e faz trabalhos artísticos com giz de cera em papel e tela.
Ele gosta de comer doces e frango.
Alimentado com junk food por seu captor - um narcotraficante cujo nome não foi divulgado - Yoko tem apenas quatro dentes. Os chimpanzés, assim como os seres humanos, devem ter 32 dentes.
Era comum que chefes do narcotráfico, como Pablo Escobar, na década de 1990, mantivessem animais exóticos como animais de estimação, incluindo tigres e leões, e até mesmo hipopótamos e girafas.
Yoko foi ensinado a fumar e a se vestir com roupas humanas, o que fez com que ele desenvolvesse uma doença de pele e perdesse parte de seu pelo.
“Yoko... é um chimpanzé altamente humanizado, o grau de domesticação é muito alto... Ele se comporta como uma criança”, disse o veterinário Javier Guerrero.
O veterinário acompanhou Yoko na primeira parte de sua jornada, apelidada de “Operação Arca de Noé”, do Bioparque Ukumari, um zoológico na cidade colombiana de Pereira.
- Um sorriso não é um sorriso
Os especialistas temem que Yoko tenha dificuldade para se adaptar à vida com outros chimpanzés em Sorocaba, no estado brasileiro de São Paulo - o maior santuário de grandes primatas da América Latina.
Há mais de 40 outros chimpanzés no local, mas veterinários e especialistas em comportamento animal temem que Yoko não se adapte.
“Yoko... não é um chimpanzé no sentido estrito... ele é um animal que se identifica muito mais com os seres humanos”, disse Cesar Gomez, coordenador de treinamento de animais do Ukumari.
“Para dar um exemplo aos senhores, um sorriso é algo positivo” para os humanos, ‘mas para os chimpanzés é algo negativo e Yoko não entende esse tipo de comunicação’, disse ele.
Yoko foi apreendido da toca de seu dono pela polícia em 2017, depois de passar um tempo desconhecido lá, e depois foi levado para um refúgio que inundou antes de se tornar um residente do zoológico de Pereira.
“Foi negada a ele a chance de ser um chimpanzé e crescer com sua família”, disse à AFP a veterinária assistente Alejandra Marin.
Na natureza, em seu habitat natural na África, os chimpanzés morrem por volta dos 40 ou 45 anos de idade. Eles são animais sociais e grupais e, com bons cuidados em cativeiro, podem viver até os 60 anos.
O chimpanzé está listado como uma espécie em perigo de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza.
Com a transferência de Yoko no domingo, a Colômbia se tornou o primeiro país do mundo a se livrar totalmente dos grandes símios em cativeiro, disse o Great Ape Project, uma ONG.
“Os grandes primatas são chimpanzés, orangotangos, gorilas e bonobos - nenhuma dessas espécies é endêmica em nosso país e não têm motivo para estar aqui”, disse Andrea Padilla, senadora colombiana da Aliança Verde que supervisionou a transferência ‘profundamente simbólica’ de Yoko.
“Desde muito jovem, Yoko foi vítima de tráfico e comércio, passada de um traficante de drogas para outro”, acrescentou.
Na manhã de segunda-feira, Padilla postou no X que Yoko havia desembarcado no Brasil e estava “sã e salva e prestes a começar uma nova vida com seus colegas”.
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